terça-feira, 26 de maio de 2009

Berlusconi diz que jamais cometeu gafes e acusa a imprensa de inventá-las

EFE - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, assegurou que "nunca cometeu gafes" e que agora sentia seu trabalho como um peso, em entrevista concedida ontem à rede de televisão americana CNN. O primeiro-ministro culpou os jornais por terem inventado suas supostas gafes.


"Nunca cometi gafes, nem uma única vez, todas as gafes foram inventadas pelos jornais", afirmou o premiê no Palácio Grazioli, sua residência oficial de Roma. O caso Noemi Letizia é uma das polêmicas que Berlusconi tem abertas na Itália e sobre a qual o premiê se disse a disposição para ir ao Parlamento e esclarecer. O chefe de governo assegura que preferiria estar "fazendo outra coisa agora". "Estou aqui agora, porque, infelizmente, Berlusconi é o único líder capaz de manter a centro-direita junta", afirmou. Quanto às notícias sobre Noemi Letizia e seu divórcio, disse que tudo tinha sido inventado por seus inimigos na oposição e pelos jornalistas que não tem integridade. "Acho que é vergonhoso o comportamento das pessoas que invadem a intimidade e fazem uso da esfera privada para ataques políticos", completou. "Vou explicar exatamente qual é a situação. E terei todos os italianos do meu lado e, mais uma vez, essa acusação atuará como um bumerangue contra as pessoas que o lançaram", advertiu.

Itália condena teste nuclear

O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, condenou com firmeza os testes nucleares realizados pela Coreia do Norte, definidos por ele como uma "provocação perigosa" e uma "ameaça para a paz". A Coreia do Norte anunciou ter realizado um segundo teste nuclear "bem-sucedido", com o objetivo de "fortalecer seu poder nuclear dissuasório".


Ao tomarem conhecimento da informação, Estados Unidos, China, Grã-Bretanha e Rússia, entre outros países, também condenaram a atividade. O Japão e a Coreia do Sul, por outro lado, anunciaram que irão pedir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que imponha sanções contra o governo norte-coreano.


"Compreendemos a preocupação dos amigos japoneses e da Coreia do Sul, que é também uma preocupação nossa", continuou Frattini, respondendo aos jornalistas ao ser questionado sobre o tema. O chefe da diplomacia italiana expressou ainda o seu desejo de que seja retomado "o diálogo entre as seis partes (Coreia do Sul, Coreia do Norte, China, Japão, Estados Unidos e Rússia, ndr.) e que a Coreia do Norte entenda que fazer testes nucleares não ajuda". Por sua parte, a Itália continuará desempenhado um papel em favor do diálogo, das negociações entre os países envolvidos e dará apoio a iniciativas que ajudem a restabelecer um clima de confiança no nordeste asiático para a estabilização da região, explicou Frattini.


Segundo informou o observatório sismológico norueguês Norsar, o teste realizado hoje ocasionou um tremor de 4,7 graus de magnitude na escala aberta de Richter, mais potente do que o lançamento anterior, realizado em outubro de 2006. O teste foi acompanhado pelo lançamento de um míssil de curto alcance.
Com informações da Ansa

segunda-feira, 25 de maio de 2009

União Europeia está "perturbada" por anúncio de teste nuclear, diz ministro tcheco

A União Europeia (UE) está "muito perturbada" pelo teste nuclear anunciado pela Coreia do Norte nesta segunda-feira e o "condenará" se for confirmado, disse nesta segunda-feira o ministro dos das Relações Exteriores tcheco Jan Kohout, cujo país ocupa a Presidência rotativa do bloco.

"Estamos muito perturbados", disse Kohout na capital vietnamita, onde participa de uma reunião dos ministros de Relações Estrangeiros da União Europeia e da Ásia. "Se confirmado [o teste], será condenado pela UE."


O governo da Coreia do Norte anunciou ter realizado "com sucesso", seu segundo teste nuclear subterrâneo na manhã desta segunda-feira (noite de domingo, em Brasília) , em um desafio aberto às resoluções emitidas pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) após o primeiro teste, em 2006.

Uma fonte do governo da Coreia do Sul citada pela agência de notícias sul-coreana Yonhap disse ainda que um teste com um míssil de curto alcance foi realizado. A informação não foi confirmada.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, pediu reunião de urgência do seu Conselho de Segurança Nacional. Os governos do Japão e do Reino Unido afirmaram que o novo teste seria uma "violação clara" das resoluções da ONU.


Coreia do Norte realiza novo teste nuclear

Após teste, terremoto de 4,7 graus foi registrado por quatro países.Governos japonês e sul-coreano pedem sanções contra Coreia do Norte.

A Coreia do Norte confirmou nesta segunda-feira (25) que realizou "com sucesso" seu segundo teste nuclear subterrâneo, conforme diz a agência estatal norte-coreana "KCNA". O país comunista também informou que a explosão foi ainda mais forte - em poder e tecnologia - que a operação realizada em 2006, segundo a mesma agência de notícias. O governo norte-coreano afirmou que o teste foi "seguro", sem vazamento de material radioativo.

"Como tinham solicitado nossos cientistas e técnicos, nossa República levou a cabo com sucesso outro teste nuclear subterrâneo neste 25 de maio, como parte das medidas para fortalecer poder nuclear em defesa própria", disse a "KCNA, sem fornecer detalhes sobre a região afetada pela prova.

Em outubro de 2006 a Coreia do Norte já havia realizado uma operação semelhante, que desencadeou uma série de sanções internacionais. O novo teste já provocou reações diplomáticas imediatas dos governos da Coreia do Sul e do Japão.

Fontes diplomáticas sul-coreanas dizem que o país vizinho também disparou mísseis de curto alcance, informação não confimada pelo governo da Coreia do Norte.

Terremoto
Logo após o teste nuclear norte-coreano, sismógrafos de Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Rússia registraram ao menos um grande tremor, sem causar vítimas ou provocar danos.

A Agência Meteorológica do Japão detectou ondas sísmicas procedentes da Coreia do Norte, pouco depois do teste, segundo um porta-voz do Ministério de Exteriores.


Agência sísmica da Coreia do Sul registrou tremor de 4,5 graus de magnitude na escala Richter, poucos antes das 10h (22h de Brasília de domingo, 24). O porta-voz da Casa Presidencial sul-coreana, Lee Dong-Kwan, disse que às 9h54 seu governo detectou um "terremoto artificial" perto de Poongkye-Ri, na província Norte de Hamkyong.

O Instituto Geológico dos EUA confirmou que um terremoto de 4,7 graus sacudiu a Coreia do Norte, a 375 km a nordeste de Pyongyang, às 9h54 (21h54 de Brasília), a 10 km sob a superfície terrestre.

A estação sismológica Yuzhno-Sajalinsk, no extremo oriental da Rússia, registrou um terremoto de 4,7 graus às 11h54, a uma profundidade de 10 km, no território norte-coreano, devido "aparentemente" a uma explosão.

ONU
O novo teste neclear provocou reações dos governos da Coreia do Sul e do Japão. O presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, reuniu de urgência seu Conselho de Segurança Nacional. O Japão convocou um gabinete de crise para estudar a situação.

Os ministros de Exteriores sul-coreano, Yu Myung-hwan, e japonês, Hirofumi Nakasone, que participam em Hanói da reunião do Fórum Ásia-Europa (Asem), disseram que já pediram reunião urgente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), para pedir sanções contra a Coreia do Norte.

Ameaça
O regime comunista norte-coreano tinha ameaçado, no dia 29 de abril, levar a cabo um teste nuclear depois que o Conselho de Segurança da ONU condenou seu lançamento de um foguete de longo alcance no dia 5 de abril.

A Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear em outubro de 2006, três meses após lançar vários mísseis, entre eles um Taepodong de longo alcance, e isso lhe acarretou sanções e a condenação das Nações Unidas.

Folha on line/Globo on line com informações das agências de notícias Efe e France Presse

Berlusconi responde às acusações




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G8 e empresários debatem impacto da crise sobre energia


Os participantes do chamado G8 Energia em um encontro realizado neste domingo em Roma onde empresários e delegações governamentais do G8 e de mais 14 países, entre eles o Brasil, discutirão o presente e o futuro dos principais temas relacionados ao mercado energético mundial. EFE

A estabilidade dos preços de fontes energéticas como o petróleo e sua possível escassez uma vez superada a atual crise econômica, que fez cair a demanda pela commodity, foram neste domingo o tema central do primeiro dia do encontro G8 Energia, que acontece em Roma.

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Itália acerta as contas com o seu passado: Museu da Emigração será aberto ao público em setembro

Museu da Emigração, que será aberto ao público no dia 25 de setembro, funcionará junto ao Complexo Vittoriano.

O fenômeno da emigração foi praticamente “esquecido” a partir de um entendimento de que representava uma passagem negativa, quase vergonhosa, da história italiana. Essa, ao menos, é uma das explicações que se dá para esse período da vida do país ter sido relegado aos mais obscuros e intangíveis escaninhos da memória da Itália. Agora, aos poucos, concomitante a novas interpretações do processo - que inclusive já vislumbram no emigrante uma espécie de herói – afinal, os recursos que remetia à terra natal ajudaram o país em um momento crucial – a Itália como que revela disposição em acertar as contas com o seu passado, resgatando e revalorizando circunstâncias como as que envolveram o êxodo ocorrido no final do século XIX e início do século XX.

Recentemente, o deputado Fabio Porta, eleito pela circunscrição da América do Sul, apresentou no parlamento italiano projeto de lei que institui a obrigatoriedade de o fenômeno da emigração constar do currículo das escolas do país. E agora, O Ministério do Exterior está informando que, no próximo dia 25 de setembro, finalmente será preenchida uma das principais lacunas da memória nacional, com a abertura para o público do Museo dell’Emigrazione, instalado no Complesso del Vittoriano, sede do Museo del Risorgimento, em Roma.

Antes, no dia 1º de junho, o Museu será apresentado oficialmente para a imprensa e autoridades.

Pela primeira vez na história italiana, será possível vislumbrar o imenso patrimônio historio e cultural italiano inerente à emigração, em percurso que se articulará em cinco sessões principais: um percurso histórico de referência, um percurso expositivo regional, uma galeria da emigração multidisciplinar e interativa, um espaço de acesso ao portal web especialmente realizado para o museu e, por fim o cenário para mostras temporárias e de aprofundamento geográfico e temático.

O percurso do museu se desenvolve de forma articulada sob o ponto de vista didático e materiais de diversos tipos: literatura, cinema, documentários, música, testemunhos em áudio, fotos, jornais e revistas de época, frases significativas, aspectos e objetos característicos, datas importantes.

domingo, 24 de maio de 2009

A milenária polenta


A polenta foi um alimento tão importante para os imigrantes italianos chegadosao Rio Grande do Sul que mereceu homenagem em praça pública, em Vale Vêneto, na forma de um monumento à panela de ferro.
De origem milenar, esse prato da culinária europeia – especialmente italiana – era conhecido como puls em Roma e polts na Grécia. Foi citado nas obras de Plínio, o Velho, e várias de suas receitas estão no livro De Re Coquinaria, de Apício Marco Gávio, ambos no século 1º depois deCristo. Num artigo recente, Antônio Alberti revela que a palavra como hoje é usada chegou à Península Itálica com os hunos. Otermo caucásico pulint (que se pronuncia pulent) foi trazido para o Ocidente com as tropas de Átila, no século 4º. Com adescoberta da América e a introdução do milho e de sua farinha na Europa, a polenta ganhou um ingrediente fundamental. Foi assim, feita de farinha de milho, com herança asiática e ingredientes pré colombianos, que ela embarcou nos navios da imigração no fim do século 19. No Rio Grande do Sul, a polenta se transformou no prato de resistência dos imigrantes italianos, numa espécie de distintivo que se comunica de geração em geração.

Antes da vinda dos italianos, já se consumia no Brasil um produto assemelhado, o angu, que provavelmente tenha origem na papa de milho, consumida na Ilha da Madeira.


Jornal Zero Hora
Colaboração Mirna Lanius Borella Bravo - RS

Roma estraga festa de Paolo Maldini e derrota o Milan no San Siro


Torcida do Milan lotou o San Siro com homenagens ao capitão Paolo Maldini

A festa estava armada para o último jogo de Paolo Maldini no estádio San Siro. O Milan entrou de camisa nova com homenagem ao ídolo e a torcida rubro-negra exibia faixas com o nome do zagueiro. Mas o Roma não quis saber de ser apenas um convidado especial: o time da capital venceu por 3 a 2, pela penúltima rodada do Campeonato Italiano, e garantiu lugar na Liga da Europa, torneio que substituirá a Copa da Uefa na próxima temporada.

O Roma contou com os brasileiros Arthur (goleiro no lugar de Doni, machucado), Juan e Taddei, e Filipe entrou na etapa final, mas Julio Baptista não saiu do banco. O Milan teve Dida, Kaká e Alexandre Pato como titulares, e Ronaldinho Gaúcho entrou no segundo tempo no lugar do ex-colorado. Com a vitória, o time da capital chegou a 60 pontos, está em sexto lugar e garantiu um lugar na Liga da Europa. Já o Milan ficou com 71 e está empatado com o Juventus, que venceu o Siena, fora, por 3 a 0, em segundo lugar. O já campeão Inter de Milão perdeu para o Cagliari por 2 a 1, na casa do adversário.
No San Siro, homenagens a Paolo Maldini, que completou 901 jogos pelo Milan e encerrará a carreira no final desta temporada, após 25 anos clube. Os torcedores ganharam cachecol com o nome do ídolo e fizeram bela festa nas arquibancadas do San Siro. Dentro de campo, o time estreou uma camisa nova e todos os jogadores usaram um distintivo com número 3 no lado direito do peito em referência a Maldini.

No primeiro tempo, Riise abriu o placar para o Roma com um golaço de falta, aos 36 minutos. Na etapa final, festival de gols a partir dos 30 minutos. Primeiro, Ambrosini empatou. Aos 35, Menez colocou os visitantes na frente de novo. Mas Ambrosini, com passe de Kaká, precisou de um minuto para empatar novamente. Porém, Totti, aos 40, fechou o placar com vitória de 3 a 2 para o Roma. Em casa, o Cagliari bateu o campeão Inter de Milão com gols de Acquafresca e Cossu. Ibrahimovic fez para o time de José Mourinho. Contra o Siena, Del Piero (duas vezes) e Marchisio marcaram para o Juventus.

O Lecce levou um gol Jorgensen aos 45 do segundo tempo, cedeu o empate de 1 a 1 à Fiorentina e está rebaixado. O time tem 30 pontos, em último lugar, e não tem mais chances de ficar na Série A, assim como o Reggina. Torino e Bologna, com 34, tentarão evitar o rebaixamento na última rodada. Durante o jogo, Felipe Melo foi expulso.
Globo Esporte

sábado, 23 de maio de 2009

Rossellini e o ofício de ser um homem

Cena de Blaise Pascal, de Rossellini


Após filmar alguns dos clássicos do cinema, o diretor italiano realizou trabalhos 'didáticos' para a TV sobre grandes filósofos .

Luiz Zanin Oricchio Blaise Pascal é o mais novo "filósofo" de Roberto Rossellini (1906-1977) lançado pela Versátil. Antes, já haviam saído Sócrates, Descartes e Santo Agostinho. São alguns dentre os filmes feitos para a televisão italiana pelo cineasta, pai do neorrealismo. Dito assim parece coisa de nada. Mas a decisão de Rossellini, ao abandonar o cinema tradicional e dedicar-se a fazer filmes para a TV, causou muita polêmica na época. Afinal, tem-se o cinema como faceta mais nobre do amplo espectro do audiovisual. É, por assim dizer, como a "alta costura" do audiovisual, enquanto a televisão seria o prêt-à-porter. O que então teria levado em direção à TV o renomado mestre, autor de obras clássicas como Roma Cidade Aberta, Paisà, Alemanha Ano Zero e Viagem à Itália? O próprio Rossellini deu a resposta a essa pergunta, em 1963, com uma frase provocativa: "O cinema está morto". Morto?

No início dos anos 1960, década dos grandes realizadores, de Federico Fellini a Michelangelo Antonioni, sem falar do nosso Glauber Rocha? A frase causou grande impacto. Inclusive entre colegas que, melindrados, não deixaram de criticá-lo. Um deles, o mais ilustre, foi direto na jugular do italiano: "Acontece que é o cinema de Rossellini que está morto", disse Alfred Hitchcock. Resposta violenta de Hitchcock, que muitos atribuem ao ciúme por causa de Ingrid Bergman, atriz de vários dos seus filmes e que se tornou mulher de Rossellini. Caso rumoroso, aliás, pois a sueca era casada quando conheceu Rossellini e passaram a ter um caso. Ingrid passou a trabalhar com Rossellini e foi protagonista de filmes marcantes como Stromboli (1950) e Viagem à Itália (1954). Casaram-se, tiveram filhos, separaram-se.

Mas, enfim, a verdade é que Rossellini tinha lá suas razões para se decepcionar com o cinema. Segundo ele, a chamada sétima arte havia sido engolida pelo excesso de glamour e exibicionismo em sua esfera mais mundana, a do cinema comercial, hollywoodiano ou não. E mesmo o cinema dito de arte não estava a salvo, por ter sacralizado a figura do "autor", invenção francesa que havia colocado os filmes num patamar de culto, mas talvez pouco humano. Pelo menos segundo a ótica do humanista que era Rossellini.Assim havia a televisão, que já tinha sido inventada fazia algumas décadas e, àquela altura, havia se transformado em meio de comunicação que atingia grandes faixas da população.

O cinema ainda era bem popular, mas Rossellini já previa o papel dominante que a televisão viria a ter. Antevia, com olhar nem tanto de profeta, mas de utopista, imaginando que aquele veículo rápido e democrático bem poderia ser usado em benefício do povo, até mesmo como veículo de instrução. Daí lhe parecer de máxima importância dedicar-se a dirigir filmes didáticos. Foi assim que dirigiu filmes históricos como A Tomada do Poder por Luís XIV (1966) e A Era dos Médici (1973).A série de filósofos entra nesse quadro geral. Vê-se que são filmes ascéticos, em busca do rigor e da simplicidade. Preocupam-se com os acontecimentos de vida dos personagens, mas também com o que pensaram e escreveram. Muitos dos diálogos são extraídos diretamente de suas obras escritas. No caso de Sócrates, modelo intelectual de Rossellini, que não deixou livros, as frases são extraídas das obras de Platão, seu discípulo, que a ele se refere com frequência em seus Diálogos e na Apologia de Sócrates.

Os filósofos escolhidos por Rossellini são homens obstinados em sua busca do conhecimento e, de maneira geral, em luta contra alguns elementos de seu tempo. Blaise Pascal (1972), o mais recente título lançado, mostra o rapaz inventivo, encarnando a luta entre a ciência e a superstição. É interessante ver o contraste entre o brilhante matemático, inventor da calculadora, que assiste, com horror e fascínio, ao julgamento de uma pobre mulher acusada de bruxaria. Esse confronto expõe, em linhas dramáticas, o combate, temerário e muitas vezes dissimulado, entre a fé e a razão. Embate também registrado em outro filme, Descartes (1974), filósofo antecessor de Blaise Pascal na afirmação da racionalidade e do método científico. Rossellini extrai trechos inteiros de algumas das obras fundamentais do pensador, como O Discurso do Método (1637) e as Meditações Metafísicas (1641), para compor as ações "dramáticas" do personagem. São procedimentos teóricos de Descartes, cuja função seria fundar a autonomia do pensamento racional diante da fé. Vale dizer que, naquela época, toda démarche racionalista tinha de ser, também, uma negociação com a autoridade religiosa. Donde, nas Meditações, Descartes precisar, primeiro, ocupar-se das provas da existência de Deus, para apenas depois afirmar que o Cogito (a Razão) se sustenta por si só. "Eu sou, eu existo", deduz, pelo simples fato de pensar. A conclusão entrou para a história do conhecimento como a frase famosa "Penso, logo existo".

Já a questão abordada em Santo Agostinho (1972) é diferente, mesmo porque o momento histórico é outro e a, para usarmos uma expressão moderna, "agenda" filosófica da época pedia outras meditações que não as cartesianas. Rossellini faz seu personagem ocupar-se menos dos problemas de conversão religiosa do que do embate político sobre o qual se vê obrigado a tomar posição. Nascido no norte da África, colonizada pelo império romano, Agostinho converteu-se ao cristianismo e, como bispo de Hipona, combateu heresias como o maniqueísmo e o donatismo. A grande questão política que teve de enfrentar foi o debate crucial com o paganismo. Estes responsabilizavam o catolicismo e sua pregação de não-violência pela queda de Roma diante dos bárbaros. A polêmica entre Agostinho e os pagãos, saudosos do imperador Juliano (que tentou, sem sucesso, restituir Roma ao paganismo), ocupa boa parte desse filme intelectual porém de ritmo envolvente. Mas talvez o mais emocionante perfil dessa série seja o de Sócrates (1971), mesmo porque Rossellini se identificava com o filósofo grego, que considerava uma espécie de herói intelectual. Vemos, ao longo do filme, Sócrates em ação, usando de sua melhor arma, o diálogo, para instilar a dúvida em adversários cheios de certeza. Uma longa sequência é dedicada ao julgamento e execução de Sócrates, acusado de vários delitos, entre os quais o de impiedade, culto a novos deuses e corromper a juventude. Sócrates poderia ter escapado à morte se tivesse abjurado suas ideias ou aceitado o plano de fuga dos amigos. Preferiu morrer, bebendo cicuta, a trair a si mesmo ou renunciar à cidadania ateniense. Essa postura, ética até o fim, fascinava Rossellini. Talvez Sócrates tenha encarnado, de fato, o ofício que Rossellini se atribuiu, no final da vida. Decepcionado com o cinema e com os rumos que este tomava, mesmo por gente que se dizia influenciada por ele (como os diretores da nouvelle vague francesa), escreveu, em seu Fragmento de uma Autobiografia (Nova Fronteira, 1992), essa frase surpreendente. "Eu não sou um cineasta". E acrescentou que seu trabalho, na verdade, era outro. Árduo, extenuante, exigindo dedicação cotidiana e impossível de ser exercido com perfeição: o ofício de ser um homem. René Descartes (1596-1650)

Nasceu na França.
Com ele, temos uma nova espécie de filósofo, situado na base da revolução científica. O francês Descartes propôs a fusão da geometria com a álgebra, o que redundou na geometria analítica. Seus principais livros - Regras para a Direção do Espírito, Discurso do Método, O Mundo ou Tratado da Luz e Meditações Metafísicas - estabelecem as bases para o conhecimento da natureza, propondo algumas das regras da moderna ciência: analisar, ou seja, dividir as dificuldades em suas partes elementares para melhor estudá-las, e depois reuni-las de novo através da síntese. É considerado por muitos o iniciador da filosofia moderna, além de pai do racionalismo. Boa parte da filosofia escrita desde a publicação de sua obra dialogou diretamente com as ideias por ele propostas.Santo Agostinho (354-430) Nasceu no norte da África, na época parte do Império Romano. Foi professor de retórica em Milão, converteu-se ao cristianismo e tornou-se religioso. Suas obras principais são A Cidade de Deus e Confissões. Influenciado por Platão, fez a ponte entre o pensamento grego e a doutrina cristã. A influência do pensamento de Agostinho se estendeu até a Idade Média. Respeitava a capacidade de conhecimento do ser humano mas afirmava que a revelação da fé era mais importante. Sócrates (470-399 a.C.)Grego, delimitou uma época da história da filosofia, tanto assim que os autores anteriores a ele, como Tales, Heráclito e outros, são chamados de pré-socráticos. Denominava seu método de "maiêutica", o parto de ideias, que, pelo diálogo, colocava em crise as certezas dos interlocutores. A frase que define sua postura diante da vida é "tudo que sei é que nada sei". Foi condenado à morte pelos tribunais de Atenas e obrigado a beber cicuta.Blaise Pascal (1623-1662)Francês, inventou a primeira máquina de calcular que se conhece. Com tamanha paixão pela área de exatas, é curioso que tenha popularizado a seguinte frase: "O coração tem razões que a própria razão desconhece". É também famosa a chamada "aposta de Pascal", raciocínio utilitarista sobre a existência de Deus. Quem acredita, tem tudo a ganhar, certo ou não. Quem duvida, nada ganha se estiver certo e vai para o Inferno se errado.

UOL Notícias
Italia Oggi

EUA pedem à Itália que receba dois presos de Guantánamo

Os Estados Unidos solicitaram à Itália que receba dois detidos de Guantánamo de nacionalidade tunisiana, revelou ontem a imprensa italiana. Os detidos são Riadh Nasri e Moez Fezzani, acusados em Milão de dar apoio logístico a uma "célula italiana ligada ao Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC)". A questão será analisada durante o encontro, na próxima sexta-feira, em Roma, entre o chanceler italiano, Franco Frattini, e o secretário americano de Justiça, Eric Holder. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reafirmou na quinta-feira sua determinação de fechar a prisão de Guantánamo, e defendeu a ideia de transferir alguns detidos para penitenciárias americanas, criando uma viva polêmica. Alguns países, como França e Bélgica, estão dispostos a receber presos de Guantánamo.


France Presse

Napolitano x Berlusconi



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Caso Battisti



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