sábado, 24 de novembro de 2007

Festival de Brasília do cinema brasileiro: Cleópatra


'Cleópatra' divide público em Brasília. Aplausos e vaias marcaram a projeção do filme de Julio Bressane. “Espero que vocês tenham paciência com o filme, que o tolerem. Para gostar de alguma coisa tem que ter paciência”, discursou o veterano cineasta Julio Bressane, antes da aguardada exibição de seu mais novo longa-metragem, “Cleópatra”.

A produção, com Alessandra Negrini vivendo a personagem-título, marcou a noite de ontem da mostra competitiva da 40ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Bressane destacou que o filme é “uma versão lírica, musical e certamente trágica” da vida da rainha do Egito. Apontado por críticos como um dos favoritos ao principal prêmio do festival (o de melhor longa-metragem), “Cleópatra” provocou reações variadas na platéia brasiliense.

“Não deu pra entender a proposta do diretor, que tentou fazer algo diferente. Não tive paciência para ficar até o fim”, disse a analista de sistemas Carla Nunes, uma das espectadoras que preferiu se retirar da sala durante a exibição. Quando os créditos finais apareceram na tela do Cine Brasília, houve quem vaiasse o filme. A maioria, no entanto, optou por aplaudir a obra de Bressane, exibida anteriormente no Festival de Veneza. “São festivais diferentes. Na Itália, esse filme é uma produção estrangeira, falada em outra língua, enquanto que aqui é uma produção local. Em Veneza, há um outro tipo de público, acostumado a coisas mais avançadas”, observou o cineasta.

A atriz Alessandra Negrini também comentou a reação do público. “Achei que a manifestação da platéia foi engraçada, interessante. Um êxtase”, afirmou. Ela comentou o processo de construção da personagem. “É uma Cleópatra latina, sentimental, passional. Criei um sotaque, fizemos uma representação das representações já feitas”, analisou ela, que foi bastante assediada pelo público.

Antes de “Cleópatra”, foram exibidos os curtas-metragens “O presidente dos Estados Unidos”, de Camilo Cavalcante, e “Uma”, de Nara Riella. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro segue até terça-feira (27), quando um júri formado por cineastas, produtores, atores, críticos e jornalistas escolherá os vencedores das mostras competitivas em 16mm e 35mm.

Fonte: O Globo on line

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