domingo, 25 de novembro de 2007

A herança trazida da Itália para o Sul


As chamadas "cartoline postali" italianas (cartões postais) estampam a entrada do site logo que o visitante o acessa. Em alguns minutos, o azul celeste do céu do Vêneto recheia a tela. Nele, a escultura do imponente Leão de São Marcos (animal alado e símbolo da região) surge, remontando à idéia de força e proteção. É ali no www.venetinelmondo-ilfilm.com que a aventura tem início - ou fim. Tudo depende do ponto de vista.

Desde o dia 3 de maio um grupo de italianos percorre os quatro cantos do mundo em busca de histórias dos descendentes vênetos que por "N" motivos não habitam a Itália. O último ponto da viagem foi o Sul do Brasil. Passando por São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os profissionais da VeniceFilm Production voltaram para casa cheios de recordações. "Registramos centenas de entrevistas para provar que, fora da Itália, a tradição, o idioma e a cultura vênetas são guardadas com orgulho", dizem, na página, em italiano.

A partida do Brasil ocorreu no final de agosto. Por aqui, dentre outras coisas, a surpresa ficou por conta do Talian. Ele é uma variante da Língua Vêneta (língua do norte italiano) e ainda falado, principalmente, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os italianos "legítimos" ficaram impressionados e não imaginavam que, mesmo depois de mais de cem anos da imigração, a língua fosse mantida. O Talian é como se fosse uma espécie de dialeto ítalo-brasileiro, já que o dialeto Vêneto veio na bagagem dos imigrantes italianos que aqui chegaram, mas sofreu grande influência de outros dialetos italianos e do português do Brasil.

Em fase de finalização, o filme-documentário I Veneti nel Mondo - Un Popolo di Am basciatori (Os Vênetos no Mundo - Um Povo de Embaixadores) é mostrado, por enquanto, aos internautas, por fotos e relatos da equipe técnica, mas promete ser divulgado na íntegra por meio da RAI Internacional e em todas as associações vênetas espalhadas pelo mundo. Por enquanto, os que arranham, pelo menos, um pouquinho da Língua Italiana podem degustar o material espalhado pelos links.

Em um deles, chamado Filmato, o espaço é destinado aos trabalhos realizados no Brasil. Para quem não entende a língua dos antepassados, uma boa pedida é ver as fotos no link com o mesmo nome. O grupo passou por Marcinelle e Charleroi, na Bélgica; Bochum, na Alemanha; Zurigo, na Suíça; Cape Town, Johannesburg e Stellenbosch, na África do Sul; Brisbane e Melbourne, na Austrália; Buenos Aires e Rosario, na Argentina; Huatusco e Chipilo, no México; Monteral, no Canadá; e Criciúma e Caxias do Sul, no Brasil.

Por: Vanessa Feltrin
http://www.atribunanet.com/home/site/ver/?id=60635 (Jornal de Criciúma - SC)

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