domingo, 25 de novembro de 2007

Rio, cidade sitiada - até quando?


A morte do turista italiano Giorgio Morasse, em Ipanema, na Zona Sul do Rio no último dia 19 ainda é motivo de manchetes nos noticiários. A cada dia, novos suspeitos são indiciados e presos mas não se chega ao verdadeiro culpado.

O Rio de Janeiro está uma cidade violenta. Antes, morro era lugar do malandro que brigava apenas por causa do jogo do bicho ou pela mulher amada. Hoje, não se fala em morro como moradia... são as favelas, comunidades a grande maioria delas já urbanizadas pelo projeto favela-bairro, os complexos... controladas por traficantes e suas milícias que amedrontam tanto moradores locais quanto a vizinhança.

Se antes o perigo rondava apenas a zona sul do Rio, com eventuais ataques a turistas desavisados que teimavam em passear pela orla de Copacabana com suas câmeras de vídeo ou máquinas fotográficas japonesas ou mesmo os que caiam no tradicional conto do "boa noite Cinderela" na Rodoviária ou em bares, hoje os ataques são constantes, sem hora pré-determinada e o pior: com morte. Assaltantes não se conformam em apenas roubar, assaltar... eles querem ver sangue.

Tiros são ouvidos por quase todos os bairros diáriamente. Granadas, ataques ao "caveirão", helicópteros da PF sobrevoando morros e bairros próximos. Da zona norte à zona sul, sem distinção. O medo tomou conta da população que evita sair a noite principalmente se tiver que atravessar um túnel ou andar por ruas desertas. Parar em sinal de trânsito? Nem pensar... é preferível receber uma multa a ser assaltado.

Ontem a tarde, um assalto a uma jovem foi presenciado por duas pessoas que passavam de carro pelo local da ocorrência. Dois motoqueiros tentavam arrancar a bolsa da vítima caída no chão, desesperada. Será que os expectadores poderiam interferir? Não. Mais uma vez a síndrome do medo, do pânico de também ser vítima tomou conta dos transeuntes. E mais um assalto foi feito sem que os bandidos sofressem algum dano...

No caso de Giorgio, o turista italiano que brigou com o suspeito do assalto Rodrigo Carvalho Cruz, de 20 anos, a vítima acabou sendo atropelada por um ônibus e morreu.

Até quando? Até quando as autoridades continuarão observando, dizendo que estão agindo mas não se vê uma luz no final do túnel? Até quando continuaremos tendo o Rio de Janeiro como uma cidade sitiada?

Da Redação do AI no Rio de Janeiro

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