quinta-feira, 22 de novembro de 2007

TV de Berlusconi e RAI: Complô


O jornal italiano La Repubblica divulgou ontem uma denúncia de que a televisão estatal RAI e a cadeia de televisões Mediaset, de propriedade do atual chefe da oposição e ex-premier Silvio Berlusconi, foram cúmplices de informação, em vez de concorrentes, entre o final de 2004 e meados de 2005.

O jornal, ao informar sobre escutas telefônicas ordenadas judicialmente para investigar a quebra de uma empresa de pesquisas que trabalhou durante anos para Berlusconi, afirmou que "as duas superpotências nacionais da televisão, em vez de competir, trocavam informações sobre a programação, sob a coordenação de Berlusconi e seus colaboradores". "Não é minha função julgar o comportamento das pessoas e muito menos a partir de escutas telefônicas, mas existe uma certeza: a sombra do duopólio televisivo aflora em um clima de conspiração nada exemplar para o serviço público e a sua autonomia", comentou o ministro italiano das Comunicações, Paolo Gentiloni.

O deputado Giuseppe Giuletti, representante do Partido Democrático, maior grupo da coalizão de governo, na Comissão Parlamentar de Vigilância sobre a Rádio-Televisão Estatal (RAI), afirmou que "as interceptações publicadas hoje confirmam, mais do que qualquer conseqüência judicial, a existência de um verdadeiro grupo transversal que tentou transformar a RAI em um satélite da Mediaset". O coordenador nacional do Forza Italia, partido de Berlusconi, Sandro Bondi, afirmou que esta é "mais uma tentativa de impedir que a Itália se transforme em um país normal". A direção geral da RAI iniciou uma investigação interna e encarregou a Direção de Assuntos Legais de se constituir em parte prejudicada para poder empreender todas as iniciativas necessárias para proteger a empresa.

O sindicato dos jornalistas da RAI convocou uma assembléia dos redatores. Segundo o órgão, os fatos denunciados pelo La Repubblica "deverão ser avaliados pela justiça e pela Associação Nacional de Jornalistas". Por sua vez, o Sindicato Nacional dos Jornalistas considerou urgente que o "Parlamento comece a legislar sobre o conflito de interesses (incompatibilidade entre atividade privada e cargos públicos, ndr) e sobre a RAI, para garantir a sua autonomia".

Fonte: Ansa

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