O mundo inteiro ama a Itália porque ela é velha, mas ainda é encantadora. Porque come e bebe bem, mas nunca é gorda e bêbada. Porque é um lugar em uma Europa muito regulamentada, onde as pessoas ainda debatem com inteligência perfeita o que, de verdade, o vermelho em um semáforo significa. Mas atualmente, apesar de toda a adoração externa e suas forças internas, a Itália parece não se amar. A palavra aqui é “indisposição”, e implica em um medo coletivo – econômico, político e social – resumido em uma pesquisa recente: os italianos, apesar de declararem terem dominado a arte de viver, afirmaram ser o povo menos feliz na Europa Ocidental.
Os problemas são, em sua maioria, velhos: política fraturada, crescimento desigual, crime organizado e uma nação cada vez mais velha e pobre – os negócios de pequeno e médio porte, a espinha dorsal da tradição familiar da nação, não podem competir em uma economia globalizada.
Politicamente, a Itália parece não ter se ajustado à morte, em 1992, dos Cristãos Democratas, que governaram por mais de 40 anos. Economicamente, antes era fácil resolver problemas desvalorizando a moeda, a lira. Isso se tornou impossível com o euro, que também aumentou os preços, particularmente de moradia. A quantidade de divórcios aumentou. Grandes famílias são coisas do passado. A Itália tem um dos índices de natalidade mais baixos da Europa.
Evidências da idade da Itália estão em todo lugar. Em parques, grupos de idosas se juntam ao redor de uma única criança. Na televisão, as estrelas são velhas. A Itália parece não rumar ao que antes parecia grandeza. Não há novos Fellini, Rossellini ou Loren. Seu cinema, televisão, arte, literatura e música raramente são considerados de vanguarda. Mas ela ainda tem Ferrari, Ducati, Vespa, Armani, Gucci, Piano, Illy, Barolo – todos símbolos de estilo e prestígio. Muitos acreditam que o futuro está em comercializar a mística de “Made in Italy”.
Extraído do artigo de Ian Fisher- The New York Times














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