terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Referendo - Itália/Venezuela


O presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Fausto Bertinotti, declarou ontem que o que ocorreu na Venezuela "é interessante, porque elimina as dúvidas sobre o caráter democrático do sistema político desse país". Bertinotti fez o comentário em referência à vitória do "não" no referendo sobre a reforma constitucional proposta pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

"Ainda que com uma margem estreita, Chávez perde no terreno constitucional e isso mostra que o país está dividido. Creio que será sua tarefa trabalhar e levar em conta essa realidade", disse Bertinotti.

Margherita Boniver, uma das dirigentes do partido Força Itália na Câmara dos Deputados italiana, declarou hoje que "finalmente chega uma boa notícia da Venezuela", comentando o resultado do referendo , que não aprovou a reforma constitucional proposta pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. "Com a derrota sofrida por Hugo Chávez, esperamos que seja possível diminuir a pressão populista e autoritária que, à diferença de muitos países da América Latina, alinha o presidente venezuelano ao colega cubano Fidel Castro e a outros sujeitos, em uma espécie de eixo do mal do Caribe",disse Margherita, ex-vice-chanceler do segundo governo de Silvio Berlusconi.

Já Iacopo Venier, responsável pela política internacional do Partido dos Comunistas da Itália, afirmou que "Chávez perdeu o referendo por uma margem estreita, mas ter alcançado o consenso de quase 50% dos venezuelanos por uma Constituição que abria o caminho ao socialismo é um dado impressionante". Para Venier, "estamos frente à demonstração da profundidade e da força da Revolução bolivariana. (...) A aceitação serena do presidente Chávez de sua primeira derrota eleitoral acaba com todas as acusações infames de que queria instaurar uma ditadura". "O caminho até formas mais avançadas de democracia e de justiça social, só foi adiado. Chávez provou que pode fazer-se muito até com a Constituição inalterada, sem mudanças, e que ninguém se iluda nos Estados Unidos ou na Europa de ter domado um país incômodo", acrescentou Venier.

O secretário da Confederação Italiana de Sindicatos dos Trabalhadores (CISL), Raffaele Bonanni, disse que o "resultado do referendo na Venezuela não surpreende os membros da CISL, que desde sempre alertou e denunciou à opinião pública italiana e nas sedes sindicais e institucionais internacionais o risco da tendência autoritária de Chávez". Bonanni recebeu um telefonema do líder sindical venezuelano Manuel Cova, que expressou sua grande satisfação pelo resultado do referendo e agradeceu Bonanni e a CISL pelo muito que fizeram para informar sobre os efeitos negativos de um governo autoritário na Venezuela.

Da Ansa It

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