quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ministro da Justiça pede investigação sobre polêmico caso de aborto em Nápoles


O caso de Silvana Silvestri, a mulher que foi interrogada pela polícia após se submeter a um aborto terapêutico em um hospital de Nápoles, segue causando polêmicas na Itália, onde o ministro da Justiça, Luigi Scotti, pediu hoje uma nova investigação oficial para esclarecer as circunstâncias em que tudo ocorreu. "A atividade das forças de ordem consiste em garantir a segurança dos indivíduos e prevenir e confirmar os delitos, no entanto, não pode se separar da necessidade primaria de proteger os direitos das pessoas envolvidas, assim como sua dignidade", disse Scotti, segundo o qual Silvana "sofreu uma violação absoluta de sua privacidade".

Agentes da polícia entraram no hospital de Nápoles onde Silvana estava internada, respondendo a uma ligação telefônica anônima - que foi atribuída a um enfermeiro do hospital - no qual foi denunciado primeiro um infanticídio e logo depois o fato de que uma mulher estava parindo em um dos banheiros do hospital. A ministra de Saúde Pública, Livia Turco, confirmou hoje que a interrupção da gravidez ao qual Silvana foi submetida estava conforme as restrições impostas pela lei, já que se tratava de um aborto terapêutico efetuado na 21a semana de gestação, devido à existência de risco morte para a mãe. Lívia disse estar "escandalizada" pelo modo com que Silvana foi tratada pelos agentes que a interrogaram: "uma mulher que enfrenta, frente o tribunal de sua consciência, a opção de abortar, merece respeito, pois, esta opção é a constatação de uma impossibilidade, a experiência de uma obrigação, a dor de uma renúncia", sustentou a ministra.

Já Giuliano Ferrara - diretor do jornal Il Foglio, que criou uma lista "pró-vida" em vista das eleições de abril - questionou a posição de Livia comentando que "não se pode dizer que Nápoles foi totalmente irregular, pois, não se aborta uma criança que sofre de síndrome de Klinenfelter", sofrida por homens como resultado da presença de um cromossomo x extra e cujo sintoma mais comum é a infertilidade. "Realiza-lo é legal, no entanto, não é legítimo, não é justo", acrescentou Ferrara, o qual criticou também Livia por "dizer que se preocupa com a privacidade dessa senhora, quando não diz uma palavra sobre os jornais que a entrevistaram e a colocaram na primeira página, como símbolo ideológico da cultura do aborto".

Da Ansa

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