terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Presidente italiano dá primeiro passo para dissolução do Parlamento


O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, iniciou hoje os procedimentos para a dissolução do Parlamento ao convocar para consultas, como prevê a lei, os presidentes do Senado e da Câmara de Deputados. Os partidos, por sua vez, começaram a se organizar para as eleições legislativas antecipadas, que, segundo as pesquisas, terão como vencedores o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e seus aliados democratas-cristãos e da direita.

Nesta terça-feira, Napolitano se reuniu com o presidente do Senado, Franco Marini, e, depois, com o da Câmara dos Deputados, Fausto Bertinotti. Para amanhã, estão previstas a dissolução efetiva do Parlamento e o anúncio da data das eleições, que terão de acontecer em até 70 dias, ou seja, até 15 de abril.Além disso, vai ser definido o dia em que o Senado e a Câmara reabrirão, o que acontecerá nos 20 dias posteriores à realização das eleições.Napolitano tomou a decisão de dissolver o Parlamento italiano depois que Marini fracassou na missão de sondar os partidos quanto à possibilidade de ser efetuada uma reforma na lei eleitoral.A crise de poder explodiu em 24 de janeiro, quando o primeiro-ministro Romano Prodi perdeu a confiança do Senado depois que o nanico União dos Democratas para a Europa (Udeur) deixou a coalizão governista.

A saída do Udeur aconteceu quando seu líder e então ministro da Justiça, Clemente Mastella, foi acusado de corrupção.Desde então, Napolitano começou a lutar pela reforma da lei eleitoral, requisitada não só pela centro-esquerda, mas também por amplos setores da sociedade, já que a atual legislação favorece a criação de grandes coalizões com inúmeros partidos.Esse fator é considerado um dos principais causadores da instabilidade do Governo, já que legendas com uma representação parlamentar mínima, como o Udeur, podem formar e desfazer Executivos com grande facilidade.

A convocação de eleições antecipadas, no entanto, põe em risco a gestação do Partido Democrata (PD), cujo principal objetivo é acabar com essas coalizões gigantes e criar um partido forte, unido em torno de um programa do Governo progressista e de centro.O líder da nova legenda, o prefeito de Roma, Walter Veltroni, disse hoje que o Democrata irá sozinho às urnas e que não repetirá a experiência da coalizão de Romano Prodi, integrada por 16 partidos.Essa postura é criticada pelos partidos de esquerda, que dizem que tal postura permitirá o retorno de Berlusconi ao poder.As pesquisas concedem ao PD 35% dos votos, muito menos que os 56% da aliança de Berlusconi.

No entanto, os jornais "La Repubblica" e "La Stampa" elogiaram nesta terça-feira a posição de Veltroni, que é nova na Itália e, pelo menos, supõe uma mudança em relação à política dos últimos 15 anos.Ainda assim, muitos analistas acham que o Democrata não terá outra saída que não formar uma coalizão antes das eleições.

Da EFE

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