Por ocasião do 30º aniversário da associação Avós da Praça de Maio, a chancelaria argentina organizou uma exposição gráfica na Casa Internacional das Mulheres de Roma, que foi inaugurada ontem e contou com a presença do subsecretário italiano das Relações Exteriores, Donato Di Santo, o embaixador argentino na Itália, Victor Taccetti, e a presidente da associação, Estela Carlotto. "Faz muito tempo que estamos próximos de Estela, Alita Boitano e as outras mães e avós dos desaparecidos argentinos", disse Di Santo, que enfatizou que o governo de Romano Prodi se interessou pelo tema "se constituindo como parte civil nos processos em curso em Roma contra os responsáveis dos desaparecimentos de cidadãos italianos, algo de que me sinto pessoalmente orgulhoso".
O vice-chanceler italiano elogiou a "tranqüila obstinação" das Avós da Praça de Maio, destacando a importância de seu trabalho, já que "sem a memória é impossível, e às vezes até prejudicial, construir algo novo", como demonstra o caso de Orachio Pietrogalla Corti, presente hoje em Roma, um dos filhos dos desaparecidos que graças ao trabalho da associação pôde se reunir com sua verdadeira família. Um dos aspectos mais terríveis da repressão feita pela ditadura militar argentina entre março de 1976 e 1983 -- e que causou 30 mil desaparecidos, 15 mil mortos e 1,5 milhão de exilados políticos -- foi o seqüestro das crianças nascidas em cativeiro, sucessivamente entregues a outras famílias.
Segundo estimativas da organização, aproximadamente 500 mil crianças foram separadas desta forma de seus pais e mães, dos quais 88 foram identificados e localizados pelas Avós da Praça de Maio, entre eles Pietrogalla Corti. Para ilustrar a história e contá-la ao público italiano, a exposição de Roma conta com 15 painéis de imagens e textos que reconstroem os 30 anos de atividade da associação em seu esforço por denunciar os atrozes crimes praticados durante esses anos de ditadura. Estela Carlotto destacou o apoio de Roma ao trabalho das Avós: "A Itália sempre nos acompanhou em nossa luta por voltar a encontrar nossos filhos seqüestrados e desaparecidos, além de nossos netos nascidos na clandestinidade e logo doados para adoção", disse, antes de comentar que essa proximidade não é estranha, já que "no fundo, quem não tem um pouco de sangue italiano na Argentina?". Na inauguração do evento estava também a esposa do premier, Flavia Prodi, que recordou que em 1997 se encontrou com Estela e outras representantes das Avós da Praça de Maio em sua casa em Bolonha, "o que me serviu para conhecer de perto a força dessas mulheres".
Da Ansa














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