quinta-feira, 6 de março de 2008

Rede de doações clandestinas é descoberta


Policiais italianos desmontaram ontem, uma organização clandestina que vendia crianças de casais de nômades a famílias do sul da Itália que não podiam ter filhos. Foram detidas sete pessoas, e se descobriu uma rede de tráfico de seres humanos que vendia bebês por quase 20 mil euros. Toda operação girou em torno de uma menina de 21 dias, batizada de Jéssica, interceptada no momento em que ia ser entregue a seus compradores. O preço da bebê, 18 mil euros, ia ser repartido entre a mediadora italiana, Luigia Giordano, e os seis vendedores, quatro romenos e dois eslavos. Jéssica, cujos cabelos pretos e a pele escura denunciam a origem étnica, foi levada ao hospital Umberto Primo de Nocera, enquanto as autoridades tentam estabelecer quem são seus pais biológicos, provavelmente por meio de uma análises do DNA dos presos.

Entre eles há três mulheres romenas, dois compatriotas seus, e um eslavo, que provavelmente fizeram a ligação entre a mediadora italiana e os ciganos. No momento da prisão, Luigia Giorgano acabava de receber um envelope com 8 mil euros, que se supõe que fosse a última parcela do pagamento de Jéssica. O procurador que acompanha o caso, Domenico Romano, esclareceu em uma coletiva de imprensa depois da prisão que os investigadores não excluem nenhuma hipótese, e que as análises de DNA também servirão para verificar se os bebês vendidos clandestinamente não eram roubados.

A investigação partiu de uma denúncia no final de 2007 por parte de um casal de Benevento, que contou ter conhecido Luigia em setembro, quando freqüentavam uma agência de assistência a adoções legais em Nápoles. Segundo eles, a mulher teria se apresentado como uma benfeitora que salvara antes várias crianças abandonadas e propôs ao casal um método "alternativo" de adoção para dispensar os trâmites burocráticos impostos pelas leis italianas. A um casal da mesma família a mulher prometeu uma outra bebê, apresentada como irmã gêmea de Jéssica. Os dois casais receberam certificados falsos de nascimento, que permitiriam a inscrição nos registros municipais e assim legalizar a adoção. Pessoas próximas à operação afirmaram que alguns detalhes sobre o funcionamento do negócio, como os pagamentos em contas em nome da mediadora italiana, revelam que se tratava de uma organização criminosa improvisada e inexperiente.

Com informações da Ansa

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