sexta-feira, 18 de abril de 2008

Papa Bento XVI defende os direitos humanos em discurso histórico na ONU

O Papa Bento XVI fez um histórico discurso nesta sexta-feira na Assembléia Geral da ONU, em Nova York, no qual defendeu com ardor os direitos humanos e o multilateralismo com um apelo por mais diálogo entre as culturas. Vestido com a tradicional túnica branca, o pontífice de 81 anos de idade se dirigiu aos 192 membros das Nações Unidas, lembrando-os do dever de proteger seus povos contra o abuso dos direitos humanos. O pontífice chegou no aeroporto internacional JFK, em Nova York, na manhã desta sexta-feira, a bordo de um jato da Alitalia, e foi de helicóptero até a sede das Nações Unidas, onde foi recebido pelo secretário-geral da organização, Ban Ki-Moon. Ban e o Papa tiveram uma conversa particular de 30 minutos antes do discurso na assembléia.

A fala de Bento XVI na ONU foi um dos destaques de sua primeira viagem aos Estados Unidos como pontífice. Desde terça-feira, quando chegou ao país, ele apresentou uma atitude inédita em relação aos recorrentes abusos sexuais de jovens por padres católicos americanos, desculpando-se publicamente e reunindo-se com vítimas dos assédios. Em seu discurso, o líder espiritual de 1,1 bilhão de católicos em todo o mundo exaltou a virtude do "consenso multilateral", mas afirmou que este "continua em crise por ser ainda subordinado a decisões de poucos, enquanto os problemas do mundo pedem intervenções na forma de ações coletivas". Assuntos como segurança, desenvolvimento, desigualdade global e mudanças climáticas "exigem que todos os líderes mundiais atuem de maneira conjunta e demonstrem sua prontidão em trabalhar de boa-fé, respeitando as leis e promovendo a solidariedade em relação às regiões mais frágeis do planeta", declarou o Papa.

Bento XVI prosseguiu advertindo, no entanto, que qualquer ação por parte da comunidade internacional deve respeitar "os princípios que orientam a ordem internacional", que por sua vez "não devem jamais ser interpretados como uma imposição desautorizada ou uma limitação da soberania". "O que precisamos é de uma busca mais profunda por caminhos para evitar e lidar com conflitos, explorando todas as possibilidades diplomáticas, dando atenção e incentivo à menor chance de diálogo ou desejo de reconciliação", afirmou o pontífice.Lembrando que em 2008 a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos de existência, o Papa disse que promover os direitos humanos é "a estratégia mais eficaz para eliminar as desigualdades entre nações e grupos sociais e para melhorar a segurança".

Bento XVI alertou ainda contra "uma concepção relativista" desses direitos, segundo a qual "o sentido e a interpretação dos direitos pode variar, e sua universalidade pode ser negada em nome da diferença cultural, política, social e mesmo religiosa". "Essa enorme variedade de pontos de vista não pode servir para obscurecer o fato de que não apenas os direitos são universais, mas também a pessoa humana o é". O pontífice destacou também a necessidade de ampliar o diálogo entre as culturas e religiões do mundo, em um momento de tensão entre o Ocidente e o mundo árabe."As Nações Unidas podem contar com os resultados do diálogo entre as religiões, e pode colher os frutos da boa vontade dos fiéis em usar suas experiências a serviço do bem comum", afirmou, sob ovações da assembléia. Esta é a quarta visita de um Papa à sede das Nações Unidas - antes de Bento XVI, estiveram lá João Paulo II, em 1995 e 1979, e Paulo VI, em 1965.

Da France Press

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