sábado, 14 de junho de 2008

A moda em 1808

Um vestido que era usado pela infanta Carlota Joaquina

Atualmente, o que dita a moda na passarela do Fashion Rio são roupas curtas, de tecidos leves e muito coloridas. Um tanto diferente da moda que imperava nas ruas da cidade com vestidos longos, de cores sóbrias e tecidos pesados usados pelas damas da corte recém-chegada ao Brasil, há 200 anos. Mas nem por isso, out ou démodé. Ao contrário, a chegada da Família Real em 1808 mudou o comportamento das mulheres, que antes praticamente enclausuradas, começaram a se produzir para sair às ruas.

Basta uma visita à exposição “Mulheres reais – modas e modos no Rio de D. João VI”, na Casa França-Brasil, no Centro, para observar que luxo e originalidade nunca saíram de moda. Ao contrário, o romantismo dos laços, babados, bordados, vidrilhos tão comum nos trajes do século XIX continuam em evidência nas roupas exibidas nas vitrines cariocas.

Na falta de Gisele Bündchen ou Fernanda Lima, os modelitos mais cobiçados poderiam ser vistos nos corpos da realeza, como a mãe de D. João VI, Dona Maria I, sua mulher, a princesa Carlota Joaquina, e a nora, a imperatriz Leopoldina. No texto da exposição as curadoras, a escritora Cláudia Fares e a estilista Emília Duncan, explicam que mais do que simplesmente apontar tendências, as roupas mostram as transformações sociais ocorridas na sociedade brasileira. Antes da chegada da corte, as mulheres pouco circulavam pelas ruas da cidade. Só saíam de casa praticamente para ir à missa, usando vestes pretas e soturnas. Quase uma burca. Tudo mudou com a entrada em cena da entrada da Família Real. Os mantos pretos foram sumindo e dando espaço para suntuosos vestidos, no início de veludo e tafetá, e depois, com a evolução e a adaptação ao clima tropical, de seda ou tule de algodão. Os sapatos e até os chinelos ganharam forração de cetim ou seda e foram ornamentados com lantejoulas e vidrilhos, assim como as bolsas. Chapéus ornados com flores ou plumas não podiam faltar. A moda importada da corte mudou rapidamente o comportamento das cariocas. Mas, num dado momento, elas chegaram a ser consideradas cafonas pelas européias, tamanha a mistura de tendências, detalhes e ornamentos.

Mas nem só a realeza brilhava nas ruas do Rio do século XIX. O despojamento, a praticidade, sensualidade e, principalmente, a originalidade da moda casual podia ser observada nos trajes das escravas, que usavam tecido de algodão tingido de índigo – que era mais barato. Eles usavam como acessório, uma faixa no quadril – rojão – para proteger a coluna ao carregar peso. “As escravas traziam da África natal o conceito de que roupa não era para esconder, mas sim para adornar o corpo”, diz o texto de Cláudia, que mostra que a evolução da moda foi reduzindo a quantidade do tecido dos vestidos. Ao final da mostra, numa sala são exibidos os modelos criados por estilista contemporâneos inspirados nos modelos da corte.

A exposição “Mulheres reais” fica em cartaz até o dia 6 de julho, de segunda a domingo, das 10h às 20h, na Casa França-Brasil, na Rua Visconde de Itaboraí, 78, no Centro. A entrada é franca.

Globo on line

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