A Itália entrou oficialmente em recessão no terceiro trimestre deste ano, com uma contração de 0,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB), segundo informou nesta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatísticas italiano (Istat). Em relação ao mesmo período de 2007, a queda do PIB no terceiro trimestre foi de 0,9%, enquanto que no segundo trimestre a contração foi de 0,4% comparado com os primeiros três meses do ano. Um país é considerado em recessão após apresentar dois trimestres consecutivos de redução do PIB. A presidente da Confederação Geral da indústria Italiana (Confindustria), Emma Marcegaglia, indicou nesta quarta-feira que a conseqüência mais negativa da crise é a escassez de créditos bancários para as empresas. "Até poucas semanas atrás, os casos críticos eram poucos, porém agora já são sentidos de maneira mais forte, e a situação piora a cada dia", declarou Marcegaglia, que anunciou uma reunião entre a Confindustria, o governo e a Associação de Bancos Italianos (ABI). A presidente da confederação revelou que nesta reunião pedirá para que o governo coloque em prática seu plano de ajuda aos bancos o quanto antes, para permitir o relançamento dos créditos destinados às empresas. Os dados do Istat mostram que a economia italiana enfrenta a pior situação desde 1993, segundo especialistas. No mês de outubro, a produção industrial registrou queda de 1,2%, após a contração recorde no mês anterior, devido aos prejuízos da indústria automotiva, segundo revelaram dados divulgados nesta quarta-feira. Em relação ao mesmo mês de 2007, a produção industrial caiu 6,7% em outubro, o que constitui a maior retração anual desde setembro de 2001. O Istat evidenciou em particular a queda da fabricação de automóveis, que se contraiu 34,3% em nível anual e 13,5% nos primeiros dez meses de 2008, com relação ao mesmo período do ano passado. A Confindustria declarou ainda que a produção industrial em novembro acentuará a queda já registrada pelo Istat em outubro. A desaceleração será de 11,4%. A cifra geral reflete uma segunda baixa forte após a redução de 2,6% em setembro, apontado a uma profunda recessão. Segundo uma nota divulgada pela Confcommercio, principal associação de comerciantes do país, os dados da Istat sobre o PIB e a produção industrial italiana mostram as dificuldades da demanda por parte das famílias e dos investimentos das empresas. A associação prevê uma queda do PIB de 0,8% no último trimestre, e advertiu que a produção industrial cairá 4,2% no período. De acordo com a nota, os dados divulgados "além de confirmarem a recessão em andamento na Itália, ressaltam como a desaceleração produtiva no país está mais acentuada se comparada com o registrado em outros países industrializados". "A presença de um contexto mais negativo encontra sua origem na combinação de dinâmicas internacionais recessivas com um quadro interno que mostrava sua fraqueza desde o final de 2007, antes, portanto, do início da crise financeira, sobretudo no que se refere à demanda por consumo por parte das famílias", afirmou a Confcommercio, que acredita que esta situação "não parece destinada a se modificar no futuro próximo".Ansa













Nenhum comentário:
Postar um comentário