quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Polícia italiana prende 99 em operação antimáfia na Sicília

PALERMO, 16 DEZ (ANSA) - A polícia italiana realizou nesta terça-feira uma operação em várias cidades da Sicília, no sul do país, que terminou com a prisão de 99 pessoas sob a acusação de tentar reconstruir a Cosa Nostra (máfia siciliana).

Os detidos foram acusados de associação mafiosa, extorsão, tráfico de armas e de entorpecentes.

Entre os presos, há chefes mafiosos e outros membros de famílias ligadas à máfia, que tentavam "refundar" a Cosa Nostra por meio da chamada "comissão provincial", o organismo que medeia os atentados e estratégias do grupo.

Essa "comissão", que por muito tempo foi liderada por Salvatore "Totó" Riina, chefe máximo da Cosa Nostra até sua prisão, em 1993, delibera sobre os atentados mais sangrentos cometidos pela máfia.

A nova comissão da Cosa Nostra foi constituída para permitir que os chefões mafiosos tomassem "decisões graves", que visavam retomar a chamada "estratégia militar" de Riina.

Acredita-se, inclusive, que a reestruturação da máfia siciliana tenha o consentimento de Riina, uma vez que foi descoberta uma rede de cumplicidades organizadas para que os mafiosos presos tivessem regalias.

As prisões dos 99 suspeitos foram determinadas devido ao perigo de fuga dos investigados e para prevenir homicídios já planejados.

A "Operação Perseu" foi executada por mais de 1200 policiais, com helicópteros e cães, em toda a Sicília e em algumas províncias da Toscana, no centro do país.

Entre os negócios ilegais que a nova comissão da Cosa Nostra organizava está o tráfico de drogas, em especial a importação e distribuição de cocaína, que chegava à Sicilia do Brasil.

Segundo as autoridades locais, recentemente chegou à região italiana um carregamento de 10 quilos de cocaína pura, primeira leva de um pedido de mais de 100 quilos da droga e de pasta-base. A droga tinha sido encomendada por Salvatore Capizzi, chefe da cidade de Villagrazia, que se encarregaria então do refino.

A operação descobriu também que para recolher o "pizzo" (pagamento para "proteção"), os mafiosos usavam máquinas eletrônicas de jogo instaladas em estabelecimentos comerciais, cujos lucros ficavam exclusivamente para a Cosa Nostra.

Nos últimos anos, a polícia desarticulou consideravelmente a máfia siciliana, com a prisão de mafiosos importantes como Bernardo Provenzano, em 2006, e Salvatore Lo Piccolo, em 2007.

"Se após a Operação Gotha, de junho de 2006, a Cosa Nostra estava fraca e dispersa, com a Operação Perseu não se levanta mais", afirmou o procurador nacional antimáfia, Pietro Grasso.

Grasso enfatizou que , diante da Operação Perseu, "é inevitável voltar a pensar com alarme no ataque aberto às instituições e nas chacinas de 1992", quando a "estratégia militar" de Riina atingiu seu ápice.

O ministro do Interior, Roberto Maroni, cumprimentou Grasso e o comandante da polícia, general Gianfrancesco Siazzu, pelo êxito da operação.

"As prisões de hoje confirmam que a luta contra a máfia é prioridade deste governo, que não tem intenção de baixar a guarda e ainda vai infligir duros golpes contra todas as formas de organizações criminais", afirmou Maroni.

Fotos: La Gazzetta del Sud/Euronews

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