Minutos antes do horário marcado para a entrevista com Andrea Bocelli, chega a advertência, através de seus representantes, de que ele não falaria de sua vida pessoal ou sobre sua condição de cego durante a conversa, a qual, aliás, não passaria de dez minutos. Até aí, nenhuma surpresa. É sabido que o tenor italiano de 50 anos preza sua privacidade e evita a imprensa. Faz concessões quando precisa divulgar um novo disco ou, como é o caso, um show. Ele se apresentará no Rio às 22h deste sábado (18.04), na Arena, e em São Paulo, no dia 21, no Parque da Independência.Bocelli nasceu com glaucoma e perdeu de vez a visão aos 12 anos após levar uma bolada na cabeça numa partida de futebol. Ele não leva a cegueira em consideração. Ele adora cavalgar (e chegou a montar um cavalo no palco numa montagem da ópera "Werther"), faz patinação e esportes aquáticos, como windsurfe.
Em relação à vida pessoal, ele também tem motivos para o laconismo: quando seu casamento de dez anos com Enrica Cenzatti, mãe de seus dois filhos, acabou, em 2002, sua intimidade ganhou exposição.
Atritos com a imprensa se estendem ao campo profissional. Apesar de seu enorme sucesso de público, atestado pelos 65 milhões de CDs e DVDs vendidos, Bocelli já foi muito criticado por fraquezas na técnica vocal, sobretudo quando canta ópera, e pelos arranjos de canções populares, que às vezes descambam para a breguice. O sarcástico crítico britânico Norman Lebrecht disse, sobre seu sucesso: "É um cego guiando os surdos". Astro lamenta os preços altos de ingressos no Rio
O italiano, contudo, tem aliados importantes. Um deles era o seu conterrâneo Luciano Pavarotti, que também transitou sem pudores entre o pop e a música clássica, e o apadrinhou. Dele, a cantora canadense Celine Dion falou: "Se Deus tivesse a voz de um cantor, soaria como Andrea Bocelli". A influente revista britânica "Gramophone" já elogiou muitas de suas performances em disco, exaltando sobretudo seu timbre singular e muito doce.
Nos shows no Brasil, o tenor será acompanhado por uma orquestra e um coro, sob regência do maestro Eugene Kohn. Gente comum poderá ver o tenor de graça em São Paulo, mas o show no Rio tem ingressos de pista entre R$ 700 e R$ 1.200, de camarote a R$ 700 e de arquibancada nível 1 (a mais baixa) a R$ 550. Os ingressos mais acessíveis são da arquibancada nível 3, a R$ 100 e R$ 200. O que ele pensa disso?
- Não sabia disso. Lamento saber. O ideal de um cantor é poder se apresentar para todos, com entrada franca. Mas cada um tem seu papel. Eu sou cantor. Outras pessoas organizam o concerto. Os preços são escolhas feitas pelos promotores. No show, vou dar o melhor de mim. Mais que isso, não posso fazer - conclui ele.
Andrea Bocelli - HSBC Arena. Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401 - Barra da Tijuca. 18 de abril. Abertura dos portões, 19h; Show: 22h. Ingressos: Setor Premier, R$ 1.200; Cadeiras Vip, R$ 900; Cadeiras de Pista, R$ 700; Cadeiras nível 1, R$ 550; Camarotes R$ 700; Nìvel 3 Central, R$ 200; Nível 3 Lateral - leste/oeste R$ 100
O Globo













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