O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, voltou a pedir a realização de uma cúpula de governos da União Europeia para discutir a imigração. O chanceler defendeu a organização do evento ante a polêmica entre a Itália e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que tem questionado as medidas adotadas recentemente pelo governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi para coibir a entrada de estrangeiros que chegam ao país de forma clandestina. Há pouco mais de uma semana, a Itália passou a repatriar ainda em alto-mar pessoas que são socorridas ou presas em embarcações interceptadas na costa do país. Por meio de um acordo bilateral, os imigrantes são enviados para a Líbia. O Acnur é contra a medida, pois acredita que os estrangeiros têm direito a pedir asilo político e lembra que para tanto eles precisariam pisar em solo italiano. A entidade, além disso, chama a atenção para o fato de que a Líbia não assinou as convenções da ONU para os refugiados. De maneira indireta, Frattini se referiu ontem às críticas do Acnur, inclusive condenando seu posicionamento. "Não vamos personalizar, mas é preciso dizer com clareza que nenhuma instituição pode considerar a Itália um país racista e xenófobo", sustentou. Segundo o chanceler, as acusações não dizem respeito à Itália, já que o país "salva milhares de vidas em alto-mar, tem uma tradição de acolhimento que não faz distinções e aplica regras europeias para estar de acordo com os interesses do resto do continente".Itália 'colhe os frutos' da rejeição de imigrantes
O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, disse que segundo os serviços secretos de Tripoli, a rejeição de imigrantes ilegais praticado por Roma há algumas semanas, deteve embarques da Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos. "A política de rejeição deu seus frutos e temos a intenção de retomá-la", disse Maroni após uma reunião com seu colega líbio Abdel Fatah Yunis al-Obeidi. Maroni propôs instituir uma mesa de trabalho com a Comissão Europeia e com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), para discutir como combater a imigração ilegal e ao mesmo tempo examinar os pedidos de asilo. Entrementes, o secretário do Conselho Pontifício para Migrantes e Itinerantes, monsenhor Agostino Marchetto, afirmou que as políticas migratórias restritivas, destinadas a limitar o acesso regular aos países desenvolvidos, "obrigam muitos a procurar rotas alternativas perigosas, incentivando de fato a exploração de seres humanos". Marchetto discursou em um simpósio da Associação Papa João XXIII sobre o tema do tráfico dos seres humanos. "A repatriação de imigrantes que fogem de situações de abuso ou exploração não deterá o tráfico de seres humanos. Ao contrário, aumenta o risco de enriquecer ainda mais os que se dedicam a tais práticas, a menos que não sejam acompanhados por um apoio psicológico e material que ajude as vítimas a fugir de seus exploradores", destacou Marchetto.
Da Ansa













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