Há um esqueleto no armário de Benito Mussolini. Dois, para ser mais preciso. A teoria é defendida pelo cineasta italiano veterano Marco Bellocchio, em seu novo filme exibido nesta segunda-feira (18) para a imprensa no Festival de Cannes, em competição. "Vincere" reconta o drama de Ida Dalser, que foi perseguida e colocada em um manicômio até a sua morte, em 1937, porque alegava ser casada e ter um filho com o ditador italiano. Nascido em 1915 e renegado por Mussolini, Benito Albino Mussolini foi separado da mãe ainda criança e também acabou morrendo em um hospital para doentes mentais em agosto de 1942.
Quase nunca citada na biografia oficial de Mussolini, a história veio à tona recentemente, com a publicação do livro "O filho secreto do Duce", de Alfredo Pieroni, que serviu como uma das principais fontes de informações para o filme de Bellocchio. Ida (interpretada no filme pela atriz Giovanna Mezzogiorno) e Mussolini (Fillipo Timi) se conheceram e mantiveram um romance antes da Primeira Guerra, quando o futuro líder fascista italiano era ainda um militante socialista anticlero e antimonarquista.
Quase nunca citada na biografia oficial de Mussolini, a história veio à tona recentemente, com a publicação do livro "O filho secreto do Duce", de Alfredo Pieroni, que serviu como uma das principais fontes de informações para o filme de Bellocchio. Ida (interpretada no filme pela atriz Giovanna Mezzogiorno) e Mussolini (Fillipo Timi) se conheceram e mantiveram um romance antes da Primeira Guerra, quando o futuro líder fascista italiano era ainda um militante socialista anticlero e antimonarquista.
Quando retorna ferido da guerra e reencontra Ida no hospital, Mussolini já está casado com Rachel, que seria a partir de então sua mulher oficial e com quem teria mais cinco filhos. Obcecada em ser reconhecida como a esposa legítima do Duce - título pelo qual Mussolini era conhecido -, a personagem decide usar de todos os artíficios para fazer sua versão ouvida: escreve cartas ao próprio Mussolini, ao prefeito de Trento, ao editor do jornal oposicionista "Corriere della Sera" e até ao papa. Mas, rapidamente, todas as provas que poderiam ligá-la ao antigo companheiro são eliminadas a mando do próprio líder fascista. À tragédia de Ida e Benito Albino - que na última parte do filme é também interpretado por Fillipo Timi -, Bellocchio alterna imagens de arquivo dos discursos de Mussolini e da ascensão do fascismo na Itália. Originalmente mostrados nos cinemas da época para propagar a doutrina fascista, os mesmos rolos de filme são usados agora com inteligência pelo diretor para apontar as contradições do regime totalitário e de seu principal expoente.
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