sexta-feira, 22 de maio de 2009

Imigração italiana foi decisiva no desenvolvimento econômico do RS, aponta estudo

A relação entre os valores tradicionais dos imigrantes italianos e o desenvolvimento econômico do estado foi tema de seminário promovido pela Assembleia Legislativa do RS

A contribuição cultural dos imigrantes italianos ao desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul foi o tema abordado no seminário Cultura e Desenvolvimento: o Papel da Imigração Italiana na Formação do Rio Grande do Sul, realizado na última quarta-feira (20), no Plenarinho da Assembleia Legislativa. O evento, também realizado em Caxias do Sul e Erechim (nesta sexta-feira, 22, no Centro Cultural 25 de Julho, às 19h), apresenta o estudo dos professores Renzo Gubert e Gabriele Pollini, do Centro de Estudos Sociais e Humanos da Universidade de Trento, feito na década de 80, com 2,4 mil pessoas em 27 municípios gaúchos.

A questão central levantada pela pesquisa é a relação entre as crenças e valores tradicionais da comunidade imigrante e o desenvolvimento social e econômico do sul do Brasil. O estudo revela que elementos como a língua, a tradição associativa e a religião tiveram um papel fundamental na adaptação ao novo país e à manutenção da identidade. “A língua, por exemplo, foi um fator de coesão social e identidade”, explicou Gubert. “Mesmo no final do século XX, três quartos dos descendentes de italianos no Rio Grande do Sul tinham pai e mãe que falavam italiano ou dialeto em família. Da mesma forma, a família também era um fator de manutenção da identidade – entre os entrevistados que eram casados, 80% tinham cônjuges também de ascendência italiana”.

Outro elemento destacado pelos estudiosos disse respeito ao valor atribuído ao trabalho, à honestidade e à poupança. “Sem dúvida, isto está associado ao tipo de desenvolvimento da região”, salientou Gubert, que chamou a atenção para as semelhanças entre o modelo de desenvolvimento econômico nas regiões da serra gaúcha e do nordeste da Itália, conhecida como Terceira Itália, movido principalmente por meio de redes de pequenas e médias indústrias.

A confiança nas pessoas, nas associações cooperativas e o senso de valorização local foram pontos abordados por Pollini, que chamou a atenção para alguns dos fatores que determinaram o sucesso do desenvolvimento econômico na região, entre os quais a pequena propriedade rural e o favoritismo da imigração italiana, assim como a alemã, pelo governo brasileiro na época da imigração. Segundo o pesquisador, o fato de ter sido mantida a própria cultura também contribuiu para o êxito do processo de integração.

Participaram a proponente do seminário, deputada Marisa Formolo (PT); o deputado Alberto Oliveira (PMDB); o Cônsul-Geral da Itália, Francesco Barbaro; a representante da Procuradoria-Geral do Estado, Maureen Jardim Gomes; o representante do 5º Comando Aéreo Regional, Nivaldo Luiz Rossato; o representante da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Ervino Besson; representantes do Círculo Tretntino de Porto Alegre, do Fórum dos Coredes, da Sociedade Italiana do Rio Grande do Sul e da Massolin di Fiore.

Nenhum comentário: