quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pedofilia é um atentado à dignidade humana


A pedofilia não é só um crime, mas "um atentado à dignidade humana", afirmou o presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, em discurso por ocasião da primeira edição do Dia Nacional contra a Pedofilia em Roma. Fini definiu como "obrigatória" a luta contra "toda forma de abuso e de pedopornografia". Esta luta, segundo Fini, é "uma trincheira avançada para demonstrar o grau de civilidade e a conscientização moral da necessidade de preservar os menores de idade de toda forma de abuso e exploração". É fundamental defender o direito dos mais jovens de crescer de forma sadia e de ter no futuro uma sociedade melhor, acrescentou. A legislação italiana está à altura do desafio e é uma das mais avançadas. Não estamos no Ano Zero. Seja como for, é preciso continuar a manter alta a a guarda, explicou Fini. O presidente da Câmara também convidou os jovens a se abrirem e a "e a olhar com serenidade a sociedade na qual vivem". E as instituições, acrescentou, "têm o dever de aumentar cada vez mais o desafio". Por fim, Fini exortou as forças da ordem e a magistratura "a agir com a máxima severidade em relação aos autores de comportamentos, que definir como torpes e imorais é pouco".

Primeira Jornada, romper com o silêncio - Entre os abusos, este é certamente o mais monstruoso e ignóbil, porque suas vítimas são crianças. A pedofilia é um fenômeno em crescimento, mas permanece em grande parte submerso: estimativas européias recentes indicam que entre 10% e 20% dos adultos sofreram abusos e violências sexuais na infância. Ontem, a Itália celebrou pela primeira vez o Dia Nacional contra a Pedofilia. Uma festa muito jovem, que surgiu com a aprovação definitiva do Parlamento italiano há menos de uma semana. Esta primeira edição intitula-se "Fale conosco". Esta Jornada, promovida pelo deputado do PDL Luca Barbareschi, que também preside a Fundação "Dalla parte dei bambini", defenderá a mobilização. Várias iniciativas estão programadas, todas visando sensibilizar a opinião pública sobre os abusos de menores, mas também para fazer chegar às crianças uma "forte mensagem" para romper o silêncio no qual frequentemente se refugiam as próprias vítimas, frisam os promotores. Em Roma, as instituições se reuniram pela manhã em uma manifestação que previa a participação do presidente da Câmara, mas também dos ministros Mara Carfagna, Mariastella Gelmini, Giorgia Meloni; o prefeito de Roma, Gianni Alemanno e o presidente da Região do Lazio, Piero Marrazzo. O fenômeno na Itália cresce vertiginosamente, principalmente na Internet, mas permanece em grande parte submerso. Os dados que surgem são portanto parciais: de 2001 a 2008, foram presas 201 pessoas ; mais de 4 mil as denúncias, 3.949 blitz, 273.334 os sites monitorados. Durante este período, fecharam-se 177 sites e 10.907 foram apontados a organismos estrangeiros, 60 as operações de destaque internacional. Mais de um menino sobre 10 (segundo a polícia) declara ter tido contatos considerados perigoso; e mais da metade dos menores italianos têm acesso ao mundo da pornografia mediante a rede. O Telefono Arcobaleno afirma que são quase 4 mil os sites pedopornográficos denunciados por mês.

Na Itália também aumentam os casos de pedofilia na versão feminina: nos últimos cinco anos aumentaram entre 25% e 30% os casos de abuso sexual em família cometidos por mulheres, informa o Telefono Arcobaleno. Diariamente, a citada associação de tutela dos menores, recebe cerca de 5 mil denúncias; destas, 20% se referem à violência sexual. Amanhã (6), outra organização de combate aos abusos e exploração infantil, a Ecpat, organizou em Roma, no Círculo dos Artistas, um show. "É preciso - afirma Marco Scarpati, presidente da organização que no mundo tenta coibir os abusos contra os menores - falar de um drama frequentemente esquecido. Aquele das crianças e adolescentes explorados no mercado do sexo. É preciso que a criança seja cada vez mais o centro de políticas e ações de todos os cidadãos. O Ecpat visa principalmente a prevenção".
Com informações da Ansa

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