segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Hoje na história - Termina a luta de Garibaldi pela conquista da Sicília.


Giuseppe Garibaldi fotografado em Palermo, em julho de 1860


A Expedição dos Mil (Spedizione dei Mille) é um célebre episódio do Risorgimento italiano, ocorrido em 1860, quando um corpo de voluntários, sob o comando de Giuseppe Garibaldi, desembarcou na Sicília ocidental, e conquistou o Reino das Duas Sicílias, então pertencente à casa real dos Bourbons.
Um exército de voluntários
Garibaldi, legionário da brilhante campanha da Lombardia com os Caçadores dos Alpes, havia demonstrado a própria capacidade de chefe militar, com um ligeiro exército de voluntários e contra um exército regular. A Itália era plena de voluntários, desejosos por unir-se aos veteranos dos "Caçadores" e por combater ao seu lado: o recrutamento da tropa não seria um obstáculo. O armamento e os uniformes, se não obtidos junto aos Caçadores dos Alpes, seriam obtidos junto ao exército sardo. O financiamento, também. Em todo caso, sua origem poderia recorrer-se à campanha da "Subscrição nacional por um milhão de rifles", iniciada ainda a 18 de dezembro de 1859.

Garibaldi era, porém, de fé republicana mas, já se havia passado 12 anos desde que concordara em colaborar com a Casa de Savóia. Porém, os tempos eram tais que até mesmo Mazzini podia escrever que: "não se trata mais de república ou monarquia: se trata da unidade nacional" - "de ser ou não ser".

Para Cavour, Garibaldi era potencial fonte de grande preocupação: somente ao fim de 1859 ele havia retornado à Romanha, no intento de invadir o Marche e a Úmbria onde as tropas pontifícias haviam terminado uma feroz repressão. E porque o governo sardo estava àquele tempo impedido de agir (sem o consentimento de Napoleão III) e com sérias dificuldades (como a Jornada do Aspromonte demonstrou, dois anos mais tarde), seria uma segurança a mais caso ele se empenhasse numa missão aparentemente impossível. Garibaldi, por último, gozava de uma ilimitada estima da opinião pública italiana e da liberal, no mundo. Numa conversa, Cavour havia julgado justo que fosse enviado Garibaldi a tentar a famosa sublevação do interior, que transtornasse o Reino de Nápoles e reduzisse Francisco II a ações moderadas, ou "constrangesse" o Reino da Sardenha a garantir a ordem pública: a realidade mostrou superar todas as previsões. Os últimos acertos entre Cavour e o rei Vítor Emanuel II foram feitos num encontro em Bolonha, a 2 de maio. No dia 22 de abril Cavour havia ido a Gênova, para inteirar-se pessoalmente da situação.

A viagem de transferência
Naquele tempo a organização da força de expedição estava em pleno desenvolvimento: juntava-se em Gênova fundos e voluntários. Muitos outros se preparavam. Em 4 de maio de 1860 foi acertada em Torino, pelo notário Joaquim Vincenzo Baldioli, contratado por Garibaldi, representante de Giácomo Médici, a compra do armador Rubbatino e dois vapores (Piemonte e Lombardo). Para o pagamento havia sido contratado um empréstimo, secretamente garantido pelo Reino da Sardenha. Na tarde de 5 de maio a expedição embarcava na praia rochosa do Distrito dos Mil (que até então chamava-se Distrito do Mar - Quarto al Mare - atualmente distrito genovês, rebatizado em homenagem aos patriotas). Os cerca de 1089 voluntários estavam armados de velhos fuzis e privados de munição e pólvora para disparo. Este último item vieram a comprar (junto com três armas velhas e cem carabinas boas) a 7 de maio perto da guarnição do Exército do Reino da Sardenha, estacionado no forte de Talamone. Uma segunda compra foi efetuada em 9 de maio no Porto Santo Estêvão, desta feita em cargas de carvão.

Formalmente Garibaldi obteve uma e outra porque fazia-se passar como o mais alto general do Exército Real. Mas é evidente que sequer poderia haver partido sem o consentimento do Conde de Cavour. Um episódio, nesta questão, é revelador: em Talamone, bem debaixo dos olhos da guarnição, destacou 64 voluntários para preparar uma ação contra a Úmbria e Marche. Em poucos dias ele foi interceptado pelo Exército Real e reembarcou para a Sicília: o Papa Pio IX não devia ser nunca provocado e Garibaldi devia ser sempre bem controlado.

Na manhã de 11 de maio os dois vapores passavam entre Favignana e Marettimo e, informados da temporária ausência da marinha bourbônica, rumaram para o porto de Marsala.
As operações na Sicília
Os navios ancoraram em Marsala a 11 de maio. Duas naves de guerra bourbônicas, que ali estavam, tardaram a bombardear os invasores, talvez inseguras acerca das intenções de dois navios britânicos presentes no porto. A 14 de maio, em Salemi, Garibaldi declara assumir a ditadura da Sicília, em nome de Vítor Emanuel II.

Os Mil venceram, embora com bastante trabalho, um primeiro recontro na Batalha de Calatafimi a 15 de maio, contra cerca de 2 mil soldados bourbônicos. Naquele momento os Mil somavam cerca de 1200 com as adesões da população local. Ajudado por uma insurreição popular em Palermo, entre 27 e 30 de maio, Garibaldi conquista a cidade. A 20 de julho as tropas bourbônicas foram derrotadas na Batalha de Milazzo. Nos dias seguintes Giácomo Médici obtém do general bourbônico Clay a neutralização da fortíssima cidadela de Messina e do seu numeroso exército com, ainda por cima, a conquista da cidade.

As operações continentais
Com a neutralização de Messina, Garibaldi iniciou os preparativos para a passagem ao continente. O Conde de Cavour exercia fortíssima pressão para proceder imediatamente um plebiscito na Sicília, preocupado que a benévola neutralidade da França e da Inglaterra pudesse ser revertida, impedindo a conquista completa. Mais agressivo demonstrava-se, seguramente, Vítor Emanuel II, que encorajava o general no passo decisivo.

A 19 de agosto Garibaldi desembarcou em Melito di Porto Salvo, na Calábria. Dispunha, então, de cerca de vinte mil voluntários. Na Calábria os bourbônicos não souberam oferecer uma resistência digna: enquanto divisões inteiras do seu exército se dispersavam, outras aderiam ao inimigo. A 30 de agosto, o exército dos Bourbons, comandado pelo general Ghio, foi desarmado em Soveria Mannelli.

O rei Francisco II abandonou Nápoles, indo rapidamente para junto de seu exército, postado entre as fortalezas de Gaeta e de Capua, com o centro no rio Volturno, razão pela qual pôde Garibaldi, em 17 de setembro, praticamente sem escolta, entrar na cidade. Foi recebido como libertador. As tropas bourbônicas, ainda presentes em abundância nos quartéis e nos palácios, não ofereceram qualquer resistência, e renderam-se imediatamente.

Em seguida ocorreu a decisiva Batalha do Volturno, onde Garibaldi rechaçou um grande avanço do exército inimigo (cerca de 50 mil soldados). A batalha terminou em 1 de outubro (alguns autores dizem que isso deu-se no dia seguinte).

No dia imediatamente após a batalha, veio o corpo da expedição sarda, depois de atravessar o Marche e a Úmbria (onde tinha derrotado o exército pontifício na Batalha de Castelfidardo), e Abruzzo e Molise (dos bourbônicos).

Logo depois de 21 de outubro, foi feito um referendo pela anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha, obtendo fragoroso resultado a favor desta proposta (forçoso registrar-se que, naqueles tempos, os referendos eram chamados de plebiscito e haviam sempre seus resultados descontados).

A Expedição dos Mil pode ser considerada terminada com o encontro de Teano entre o rei Vítor Emanuel II e Garibaldi, a 26 de outubro de 1860.


Curiosidade
O Mil não eram apenas italianos, mas alguns estrangeiros lutaram entre eles, que foram:
Francesco Antonio Merigone (Gibraltar 18/4/1836), nascido em Gibraltar.
Francesco Bidischini (Smirna 28/9/1835), atual Turquia.
Francesco Anfossi (Nice 1819), nascido em Nice, cedida em 1861 à França.
Emanuele Berio detto Il Moro (Angola 1840 - Nápoles 2/3/1861), nascido em Angola, na época colônia portuguesa.
Ernesto Benesch (Balschoru 1842), moderna República Tcheca.
Natale Imperatori (Lugano 13/3/1830), nascido na Suíça.
Giuseppe Garibaldi (Nice 4/7/1807 - Caprera 2/6/1882), nascido em Nice, cedida em 1861 à França.
Menotti Garibaldi (Mostardas 1840 - Roma 1903), filho de Giuseppe Garibaldi, nasceu no Brasil.
Rosalia Montmasson (Saint Joriz, 12/6/1825), única mulher dentre os Mil, nasceu em Savóia, faleceu em 1861 em França.
Desiderano Pietri (Bastia - Calatafimi 15/3/1860), nasceu na Córsega (França).
Ludovico Sacchy (Odenburg hoje chamada Sopron 13/9/1826), nasceu na atual Hungria.
Stefano Turr (Baja 11/8/1825) nasceu na atual Hungria - morto em Budapeste 3/5/1908.
Carlo Vagner (Meilen 15/8/1837), nascido na Suíça.
Lajos Tüköry (naturalizado italiano como Luigi Tukory) (Körösladany - Palermo 27/3/1860), nasceu na atual Hungria.
Antonio Goldberg (talvez Budapeste 1826 - Sorrento ou Salerno 1862), nasceu na atual Hungria.
Extraído da Wikipédia

Um comentário:

Unknown disse...

Gostaria de levantar os dados de um antepassado meu por parte de mãe de nome LUIGI VITTORE GARIBALDI,nascido em 19/03/1846 em "crema" italia.,minha mãe NAIR GARIBALDI nasceu em SP em 1936 e faleceu em 1997.,meus avos JOÃO GARIBALDI e ELIDIA BIZATTI.
Agradeço a atenção.