quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A calma retornou a Rosarno


Rosarno, Regio Calabria, Ansa - Rosarno, após os dias de violência e ódio, a calma voltou a reinar. A cidade, 10 dias depois da revolta dos imigrantes e da reação violenta de parte da população local, retomou a tranquilidade, apesar do ocorrido ter deixado marcas profundas em todos.


Don Pino Varrà, pároco há 25 anos, afirma que aqueles dias de violência de Rosarno jamais serão esquecidos. Nascido nesta comunidade, o religioso deseja que a população reencontre a normalidade, sem no entanto cortar os laços que sempre ligaram Rosarno aos temas de acolhimento e ajuda aos mais necessitados. "No futuro, Rosarno poderá se tornar um grande centro de recepção, dando continuidade à tradição local que sempre foi muito enraizada e nunca poderá ser apagada".

Segundo Don Pino, "a cidade está um pouco arrependida pelo que aconteceu porque à revolta dos extra-comunitários se seguiu uma reação violenta de parte de seus habitantes. São fatos condenáveis, porque a violência nunca pode ser justificada. Rosarno pode agora voltar à tranquilidade e resgatar os vínculos normais com aqueles imigrantes que querem estar aqui para trabalhar e ajudar a economia agrícola local. O importante é que, de ambos os lados, se recuperem as condições de uma convivência pacífica".

O arrependimento não se refere obviamente àquela parte dos moradores que declararam guerra aos imigrantes e que conseguiu a sua remoção. Mas a maior parte dos habitantes locais quer recuperar com os imigrantes uma coexistência pacífica. As premissas para que isso ocorra, apesar de tudo, existem.

Em Rosarno ficaram algumas centenas de imigrantes que vivem em condições normais em casas alugadas e não nos centros de recepção insalubres, superlotados e onde não é possível viver dignamente. Não são só africanos. Entre eles há também pessoas do leste europeu que trabalham e estão integradas no país.

"Fiquei muito satisfeito por receber na igreja no domingo (17) os imigrantes que nos dias imediatamente após os conflitos desapareceram. Falei com eles, que me disseram de seu desejo de permanecer aqui e de seu sentimento de irmandade com os habitantes locais. Estas são as bases sobre as quais Rosarno pode renascer e construir o seu futuro", disse o religioso.

A realidade é que os imigrantes precisam de Rosarno para trabalhar, mas também Rosarno precisa deles. "A cultura de cítricos - continua Don Pino, é nossa riqueza e os extra-comunitários, neste sentido, sempre desempenharam um papel fundamental. O importante, no entanto, é que não existam formas de exploração da mão de obra imigrante e que nossa agricultura seja devidamente valorizada. Não é aceitável que nossos produtores recebam 6 centavos por um quilo de laranjas ou mexericas que depois, no mercado, são vendidos a até € 1,50. Existe muita especulação e é quem a pratica que quer o nosso mal". Por outro lado, a própria Rosarno é uma cidade de imigrantes.

Nas últimas décadas chegaram à cidade milhares de pessoas provenientes de outros centros da província de Reggio Calabria, mas também da Calábria e da Sicília, para trabalhar na área rural. Na época, Rosarno era chamada de "a América" justamente pela sua economia agrícola próspera e as oportunidades de trabalho que oferecia.

No entanto, a cidade apagou para sempre a "vergonha" das estruturas de segregação nas quais os imigrantes africanos viviam amontoados em condições desumanas. Este também é um sinal de renascimento. O centro da ex-fábrica Rognetta foi derrubado, enquanto que nas instalações da ex-fábrica de Opera Sila, os trabalhos de demolição avançam mais lentamente por serem mais complexos.

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