quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Itália - ajuda ao Haiti


Os governos da cidade italiana de L'Aquila e da região de Abruzzo, além da organização Caritas do país europeu, anunciaram que enviarão ajudas ao Haiti -- atingido ontem por um terremoto de 7 graus na escala Richter que reduziu a escombros a capital Porto Príncipe e pode ter matado milhares de pessoas.


O tremor, o mais forte se abater sobre a nação caribenha em 200 anos, foi sentido às 16h53 locais (19h53 no horário de Brasília) e seguido por uma série de réplicas de menor intensidade. Inúmeras construções foram danificadas, inclusive a sede do governo, prédios de ministérios e um edifício da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em abril do ano passado, L'Aquila também registrou um forte sismo, de 5,8 graus na escala Richter, que deixou mais de 50 mil desabrigados e matou quase 300 pessoas.

Massimo Cialente, prefeito da cidade italiana -- que é a capital da região de Abruzzo e cujo processo de reconstrução ainda está em andamento -- classificou como um gesto de solidariedade a contribuição financeira que o município enviará ao país centro-americano.

"Ninguém como nós, aquilanos, pode entender o que a gente do Haiti está passando. Nos sentimos próximos de uma tragédia que golpeia um país pobre e que certamente não é dotado do sistema de Defesa Civil que existe na Itália", explicou Cialente.

O prefeito afirmou ainda apreciar o anúncio feito pelo governo de seu país, que mandará ao Haiti uma equipe de ajuda. "Gostaria de poder enviar uma delação de L'Aquila, todavia a cidade está vivendo ainda uma fase aguda de emergência", explicou, citando as quase dez mil pessoas que vivem até hoje em estruturas provisórias, abrigos antissísmicos e outros alojamentos.

O governo regional de Abruzzo também pretende ajudar a nação caribenha e está em contato com o escritório de emergência e cooperação do Ministério das Relações Exteriores da Itália para verificar quais são as exigências e prioridades da população haitiana.

"Nosso pensamento vai às vítimas e suas famílias e a todas as pessoas que viram a vida tragicamente revolvida em poucos minutos por um evento tão grave. Nossa proximidade é particularmente sentida porque em nosso território as feridas do terremoto de nove meses atrás ainda não foram curadas, ou seja, temos conhecimento direto do drama que certos eventos calamitosos provocam", declarou o governador da região, Gianni Chiodi.

A Caritas Italiana, organização de ajuda humanitária da Igreja Católica, colocou 100 mil euros à disposição das vítimas do terremoto no Haiti para atender às exigências imediatas da população.

A entidade explicou que, como as comunicações com Porto Príncipe estão prejudicadas, ainda não foi possível contatar a Caritas nacional. Uma equipe de dez pessoas da organização partirá para o Haiti, enquanto alguns representantes de Caritas europeias já estão no local.

As entidades católicas pretendem usar dioceses no norte e no sul do país, que, de acordo com informações recebidas, não foram atingidas de modo grave e podem servir para acolher os feridos e como base para a estocagem das contribuições.

Entre os prédios atingidos pelo abalo estão a sede da Catholic Relief Services (agência humanitária da comunidade católica dos Estados Unidos, vinculada à Caritas norte-americana), além de um centro de acolhida para crianças de rua.
 
Itália ainda precisa localizar 130 de seus cidadãos residentes no Haiti
O Ministério das Relações Exteriores da Itália anunciou que já foram localizados 60 dos 190 cidadãos da nação europeia no Haiti, país atingido ontem por um terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou a capital Porto Príncipe.


De acordo com o chefe da Unidade de Crise da Chancelaria, Fabrizio Romano, as pessoas contatadas "se encontram a salvo". O ministério, porém, investiga a suposta morte de um italiano.

Romano lembrou que não há certeza de que todos os 190 cidadãos registrados no Haiti estivessem no país no momento do sismo.

O tremor de ontem, o mais forte a se abater sobre a nação caribenha em 200 anos, foi sentido às 16h53 locais (19h53 no horário de Brasília) e seguido por uma série de réplicas de menor intensidade.

Inúmeras construções foram danificadas, inclusive a sede do governo, prédios de ministérios e um edifício da Organização das Nações Unidas (ONU). O premier haitiano, Jean Max Bellerive, disse que o sismo pode ter matado mais de 100 mil pessoas.

A Conferência Episcopal Italiana (CEI) anunciou que enviará ao Haiti dois milhões de euros para fazer frente às primeiras emergências e exprimir a própria solidariedade à população.

De acordo com o Núncio Apostólico no país caribenho, Bernardino Auza, a catedral, o palácio do arcebispado e todos os seminários católicos de Porto Príncipe foram destruídos pelo terremoto. O arcebispo da capital, Serge Miot, morreu em decorrência dos desabamentos.

Em entrevista à agência vaticana Fides, Auza disse que percorreu a cidade destruída encontrando "padres e freiras na estrada, sem abrigo" e que "em toda parte se ouviam gritos vindos de sob os escombros".

"A Nunciatura resistiu. Não houve nenhum ferido, mas estamos todos chocados e a terra continua a tremer", acrescentou.

Na manhã de hoje, Auza encontrou o presidente do Haiti, Rene Preval, que se salvou porque estava fora de casa com a família. O religioso contou ter expressado condolências e solidariedade pelo luto que se estabeleceu sobre a capital.

Ainda durante a entrevista, o núncio lembrou a destruição do Cifor, instituto de estudos para religiosos, que ruiu enquanto estudantes participavam de uma conferência. Foi para participar deste evento que a médica brasileira e criadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, uma das vítimas fatais do terremoto, viajou para o Haiti.

Cônsul honorário da Itália n ajuda em remédios e alimentos
O cônsul honorário da Itália no Haiti, Mimmo Porpiglia, afirmou hoje que as vítimas do terremoto que atingiu o país caribenho na tarde de ontem precisam receber doações de remédios e alimentos.


Segundo Porpiglia, que também é diretor do jornal La Gente d'Italia, neste momento dinheiro não é de grande ajuda para os haitianos. Em conversa telefônica ele contou que a capital Porto Príncipe vive uma situação "alucinante, surreal".

"Há ainda uma camada branca pelas ruas de pó e lixo por toda parte. Sou jornalista há 40 anos, mas nunca vi algo do gênero. Fala-se de dezenas de milhares de mortos", relatou o cônsul italiano.

O abalo sísmico de 7 graus na escala Richter teve seu epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. O tremor aconteceu ontem, às 16h53 locais (19h53 em Brasília). Até o momento não há informações oficiais sobre feridos ou mortos.

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, contudo, o número de pessoas afetadas pode chegar a 3 milhões. O Haiti é o país mais pobre do Hemisfério Ocidental, seus habitantes têm renda per capita de US$ 1.300.

Porpiglia está em Miami e disse que viajará ao Haiti o mais rápido possível. Ele mantém contato com a população local, que diz estar vivendo uma situação de "caos total".

Segundo o cônsul, não se vê pelas ruas o trabalho do Exército e da polícia. "Podem se matar até por uma banana", diz

http://www.ansa.it/

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