sábado, 9 de janeiro de 2010

Um dia sem o trabalho dos imigrantes


Um dia sem imigrantes, sem os braços e a cabeça dos 4,5 milhões de trabalhadores estrangeiros que vivem na Itália "para ver e sentir o que aconteceria se todos eles voltassem de fato para casa": a proposta nasceu online, de um blog e de um grupo no Facebook, que em menos de um mês juntou mais de 6 mil pessoas, entre estrangeiros e italianos.


A iniciativa surgiu em Milão, a capital italiana da imigração, onde está a coordenação nacional, mas já existem várias comissões locais, inclusive em Roma, Palermo e Nápoles; e em Vicenza, Prato, Perugia e Imola em vias de se constituírem.

A inspiração da iniciativa chegou da França, onde foi lançada uma forma de protesto análoga, "Um dia sem imigrantes, 24 horas sem contar conosco". A data coincide com a da manifestação italiana: em 1º de março de 2010.

As promotoras são um grupo de mulheres que trabalham em Milão. "Somos estrangeiras e italianas e desempenhamos trabalhos distintos, mas não é esta a questão", explica uma delas, Stefania Ragusa.

"A nossa é uma luta pelos direitos, contra o clima de racismo que se respira na Itália. Um clima péssimo e não só para as vítimas da discriminação, mas para todos", acrescenta.

No Facebook e no blog se discute se se ausentar do trabalho é de fato viável para aqueles que, como os imigrantes, são mais facilmente chantageados pela ameaça de perder o emprego.

"Nós vamos tentar, a nossa meta é a greve. Aqueles que não puderem faltar ao trabalho poderão aderir simbolicamente de outra forma, por exemplo deixando de comprar produtos, vestindo uma determinada peça de roupa ou acessórios, como um bottom ou uma fita", sugere Stefania.

"Estamos recebendo o apoio, a título pessoal, de líderes políticos e sindicais - como o de Giuseppe Civati, assessor do Partido Democrático (PD) da Lombardia, mas o nosso é um protesto que nasce da sociedade civil", comenta ela.
 

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