terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Pobreza ganha terreno na Itália

  • Pelo menos 7% das famílias vivem na miséria absoluta, e 13% estão em situação de pobreza relativa
  • Em dois anos, dobrou o número de italianos que admitem sofrer alguma privação

Do El País (Email)


Mulher pede dinheiro em rua de Roma
Foto: GABRIEL BOUYS / AFP
Mulher pede dinheiro em rua de Roma GABRIEL BOUYS / AFP
ROMA -- Piero Di Filippo nunca se preocupou com o preço do peixe fresco e nunca negou um capricho à sua mulher. Por exemplo: ela gostava de ir ao porto de Nápoles, subir em um barco-restaurante, jantar com música ambiente e admirar, do mar, o Vesúvio e as ladeiras da cidade. Mas há um ano e meio, o parque de diversões onde Di Filippo trabalhava fechou as portas, e 50 trabalhadores foram mandados embora. Do emprego fixo com salário de 1.800 euros (cerca de R$ 5.800), ele saiu para receber 800 euros do seguro social.

De um dia para o outro, sua família começou a comprar peixe congelado e a guardar os vales-desconto do supermercado. Ele, a mulher e as duas filhas estão acompanhados de um exército de “novos vulneráveis”, como define Giovanni Vecchi, catedrático da Universidade de Roma 2, assessor do Banco Mundial e especialista em pobreza e desigualdade.

O Instituto Nacional de Estatística (Istat) certifica o diagnóstico: um estudo publicado em 30 de dezembro revela que, em 2012, 13% das famílias italianas viviam em situação de pobreza relativa -- ou seja, com menos de 990 euros por mês (aproximadamente R$ 3.200). É o índice mais alto desde que esses dados começaram a ser aferidos, em 1997. Um total de 7% das famílias estão na pobreza absoluta, o dobro de 2005. Nas regiões ricas do Norte da Itália, o número de pobres triplicou.

Aos 35 anos, Di Filippo era contratado do parque desde os 24. Sua mulher é contadora. Tiveram um
casamento com tudo do bom e do melhor, escolheram “um apartamento que não estava nada mal” em um bairro discreto. Pediram uma hipoteca, compraram dois carros, iam à praia no verão e esquiar no inverno, tiveram duas filhas e sempre compravam peixe fresco.

-- Em poucos meses tivemos que renunciar a um dos carros. Tiramos nossa filha menor da creche e nos conformamos a ir uma vez ao mês a uma pizzaria. E não posso reclamar. Ao meu redor vejo gente que não tem mais o que comer. O que acontece é que os ricos ficam cada vez mais ricos, os pobres empobrecem e quem estava em uma metade mais que digna, como nós, estão descendo ladeira abaixo -- resume.

A análise de Di Filippo se aplica a muitos italianos.

-- De 2010 a 2012, a taxa de privação dobrou -- disse Linda Laura Sabbadini, chefe do departamento de estatísticas sociais do Istat. -- Perguntamos a cada entrevistado se teve que reduzir a calefação no inverno passado, se pôde garantir comida proteica à família uma vez por semana, se poderia enfrentar um gasto imprevisto de 800 euros ou pagar uma semana de férias. As famílias que admitiram estar privadas de pelo menos quatro destes fatores foram o dobro que há dois anos. O cinto está apertando na classe média.

Para Vecchi, a crise não é a única culpada, mas também “a falta de políticas de longo prazo”. Ele cita também o desemprego de 40% entre os jovens, muitos deles “por sorte” vivendo ainda com os pais, “cujas poupanças amenizam os efeitos da crise”.

-- Nós, italianos, sempre fomos as formiguinhas da Europa. Me atreveria a dizer que somos o povo mais poupador do planeta -- afirmou o catedrático.


Mas os cofres estão se esvaziando. Agora, só quatro de cada dez famílias conseguem poupar algo. Diante deste panorama desolador, Di Filippo não vislumbra seu futuro.
-- Me custa muito esforço imaginá-lo -- lamentou.



www.oglobo.com


Um comentário:

Anônimo disse...

Oi!
Encontrei seu blog por acaso em pesquisa sobre Itália e estou gostando. aproveito para pedir informação se quiser, claro: estou indo a Veneza durante 1 semana, mas estou meis perdida pois tenho um vicio danado de fumar um cigarrinho ligth, mas é fumar, e ouvi dizer que lá não dá pra fumar em lugar nenhum, é verdade, nem no final do almoço e do café? chato,,,mas pode ser que mate o vicio, mas com minha idade e fumante há mais de 30 anos, difícil.obrigada Malu