O presidente italiano, Giorgio Napolitano, inicia hoje uma série de conversas antes de decidir como resolver a crise política desencadeada pela renúncia do primeiro-ministro Romano Prodi, que ocorre em uma "fase delicada" na história do país. Os primeiros a encontrarem Napolitano nessa rodada de consultas, que acaba na terça-feira, foram o presidente da Câmara dos Deputados italiana, Fausto Bertinotti, e o do Senado do país, Franco Marini.Em seguida, passarão pelo Palácio do Quirinale, residência oficial do chefe do Estado, os representantes do Grupo Misto no Parlamento, os líderes dos principais partidos políticos e os três antecessores de Napolitano.
O presidente italiano enfrenta um dilema: convocar eleições com uma lei eleitoral que causou a instabilidade governamental - seu próprio autor, o ex-ministro Roberto Calderoli, chamou-a de "indecente" - ou nomear um Governo de transição encarregado de reformar o sistema eleitoral."Acho que as forças políticas devem pensar nos interesses gerais, porque esta é uma fase delicada do país", afirmou Marini antes de encontrar com Napolitano.
O nome do presidente do Senado italiano aparece como o possível responsável por um Governo de transição, algo negado por ele. O presidente da Confindustria, entidade patronal italiana, Luca di Montezemolo, pediu hoje estabilidade institucional ao exigir a redação de uma nova legislação eleitoral "que permita limitar o poder de veto" dos partidos chamados "nanicos".Foi um desses "nanicos", o Udeur - com apenas 1,4% da representação popular -, que provocou a queda de Prodi na quinta-feira, após ter retirado seu apoio à coalizão de Governo.A saída do Executivo aconteceu poucos dias depois da divulgação da notícia de que o líder da legenda, Clemente Mastella, e sua esposa estão sendo investigados por "corrupção política". O presidente do instituto de pesquisas sociais italiano Eurispes, Gianmaria Fara, disse que a Itália é um país "seqüestrado, prisioneiro e asfixiado" por sua classe dirigente e pediu a criação de um pacto nacional e de um Governo de unidade para superar a crise.
Citado hoje pelo jornal italiano "Corriere della Sera", o comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquín Almunia, comentou a necessidade de um Governo forte em um momento de "tomar decisões rapidamente para criar confiança na economia".A imprensa internacional também ressaltou a crise institucional italiana em diferentes artigos e editoriais.
Enquanto Napolitano faz suas reuniões, diferentes partidos expressaram suas preferências entre a convocação de eleições ou a formação de um Governo de transição. A direita, liderada por Silvio Berlusconi e Gianfranco Fini, se mostrou a favor da convocação de eleições, confiante na vitória em um possível pleito.Por outro lado, o centro, representado por vários grupos, entre eles dois democrata-cristãos, e a esquerda se pronunciaram inicialmente em defesa da reforma eleitoral. Hoje também foi um dia de ajuste de contas e de análise do ocorrido na quinta-feira no Senado, quando Prodi perdeu a confiança da Câmara Alta.A votação - cujo resultado já era esperado - foi vista como um gesto heróico por uns e como um absurdo por outros. De uma maneira ou de outra, Prodi atingiu seu objetivo de encenar a traição dos aliados, transformando o democrata-cristão Mastella em seu Judas.
O centrista Francesco Rutelli, vice-presidente do Conselho dos Ministros italiano, chamou os "traidores de assassinos com punhais", imagem que lembrou a morte do imperador romano Júlio César pelas mãos de um grupo de senadores.
Da Efe














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