Silvio Berlusconi adotou um tom mais moderado durante uma participação em um programa da TV italiana na noite de segunda-feira, seguindo o discurso do democrata Walter Veltroni, seu rival nas eleições de abril. De acordo com o especialista em comunicação Marco Marturano, essa nova tática do ex-premier não funcionou com muita eficiência, tornando o líder político em uma "espécie de Frankenstein".
Para o especialista, os melhores momentos de Berlusconi foram quando "atacou Veltroni, dizendo que a sua política é jurássica, ou que o governo de Romano Prodi atrai a repulsa da centro-esquerda". "Quando ele abaixa o tom e toma como modelo de comunicação o presidente da República, não dá certo, porque (Berlusconi) sempre foi um homem que escolhe um lado. Quando ele se torna mais discreto para vender o programa da centro-direita e se torna o pai histórico da Itália, destoa um pouco da sua personalidade", afirmou. Berlusconi "fala dos mesmos temas, usa as abordagens de sempre sobre os impostos e a segurança, e reutiliza as mesmas questões sobre infra-estrutura", acrescentou.
Para o professor da Universidade de Milão,o resultado dessa combinação "é uma espécie de Frankenstein" político. "O modelo de orientação moderada é irritante. O público médio se irritou: a combinação de menos agressividade com a imagem de pai da Pátria, e não a de um verdadeiro líder que fala o que pensa, resultou em uma atuação bastante irritante que, pelo que sei, não atrairá nenhum voto. Pode até decepcionar seus partidários", analisou. Maturano sugeriu ao homem mais rico da Itália melhorar essa nova imagem se quiser conquistar o voto dos 12% de indecisos, que podem ser seduzidos pela nova postura do político. O líder da direita "deve continuar nessa direção e a sua participação no programa de TV foi positiva, valeu pelo esforço; mas para conseguir votos é preciso ser um pouco mais brilhante", disse. "A sensação é que Berlusconi segue a linha de Veltroni, em uma área dominada pelo líder do Partido dos Democratas (PD). O tom moderado é mais natural em Veltroni. Pela primeira vez não é Berlusconi que impõe a agenda ao seu adversário, mas o contrário", concluiu.
Com informações da Ansa














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