quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Itália - o mapa da disputa eleitoral

A criação dos dois "superpartidos" na nova disputa eleitoral italiana - com a fusão das principais forças de centro-direita sob o nome Podo da liberdade, PDL; além do já consagrado Partido Democrata, PD, não conseguiu eliminar a fragmentação partidária no país, com uma série de pequenos grupos "escorregadios" que, em parte, geraram a perda de maioria e a queda do governo Prodi e que agora também se preparam para as eleições antecipadas de abril.

Os partidos à esquerda dos democratas, como os Verdes (ambientalistas), o Partido da Refundação (PRC), o dos Comunistas Italianos (PdCI) e a Esquerda Crítica, juntaram-se no novo grupo Esquerda Arco-Íris, apresentaram ontem o novo símbolo eleitoral com que disputarão o pleito. O grupo da ponta esquerdista se distinguirá dos democratas de Walter Veltroni (principal adversário do conservador Silvio Berlusconi) por suas posturas em temas como política exterior (contrário, por exemplo, à missão militar no Afeganistão) ou políticas sociais (favorável ao casamento gay e à defesa da lei do aborto, que é legal na Itália). Devem apresentar como candidato a premier o atual presidente da Câmara dos Deputados, Fausgo Bertinotti. Já a Rosa Branca, partido de inspiração democrata-cristã que pretende ser uma alternativa tanto à centro-esquerda quanto à centro-direita, foi lançada pelo ex-sindicalista Savino Pezzotta e alguns dos dirigentes insatisfeitos da União Democrata Européia (Udeur), de saída por causa da posição do partido, que principiou a queda do governo de Romano Prodi.

Dependendo do resultado eleitoral do Partido Rosa Branca, os analistas políticos poderão medir a possibilidade do ressurgimento do centro católico, que dominou por quase meio século a política italiana. No entanto, sua probabilidade de êxito está fortemente vinculada ao apoio da União Democrata de Centro (UDC), que parece mais propensa a se aliar externamente com a coalizão conservadora de Silvio Berlusconi - magnata das comunicações e homem mais rico da Itália - com os direitistas da ex-Aliança Nacional (AN).

Na ponta direita do jogo político está o grupo de nome intuitivo, Direita, o equivalente oposto dos partidos neo-comunistas que rejeitam a aliança com os democratas de Veltroni. A Direita, liderada por Francesco Storace, acusa seus ex-companheiros da coalizão AN de se "venderem a Berlusconi", rejeita qualquer pacto com o PDL e anuncia que o resultado de sua campanha (com a candidata Daniela Santanché) será uma das maiores surpresas das urnas após as eleições de abril. Entre os Radicais e Socialistas, foi eliminada a possibilidade de um acordo com os democratas, após uma série de encontros que acabaram em acusações mútuas. Agora, os dois pequenos grupos ex-parceiros de Prodi se deparam com um dilema tático: a união em uma só lista para servir de equilíbrio laico, contra o que aparece ser uma ambigüidade pró-católica dos democratas; ou então a empreitada solitária de cada um deles, Radicais e Socialistas, correndo o risco de não conseguir uma representação parlamentar.

Já o pequeno grupo Itália dos Valores, liderado por Antonio Di Pietro (ex-promotor que, quando trabalhava em Milão, chegou a simbolizar a luta contra a máfia durante a operação 'Mãos Limpas') optou por manter sua própria lista e símbolo, mesmo aceitando negociar um acordo programático com os democratas de Veltroni. Por fim, o grupo "Pro life", a novidade das últimas horas no panorama político italiano: trata-se de uma iniciativa de Giuliano Ferrara (diretor do jornalIl Foglio, apresentador televisivo e ex-porta-voz do primeiro governo de Berlusconi). Seu partido se dedicará exclusivamente à "defesa da vida", sem vínculos com a Igreja Católica e com ambições de chegar a 4% do eleitorado.

Com informações da Ansa

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