A falta de discrição de algumas “famílias” mafiosas foi um dos fatores que contribuíram para o sucesso da operação policial planejada em conjunto pela polícia italiana e pelo FBI que prendeu cerca de 80 pessoas na última quinta-feira (7), nas cidades de Palermo e Nova York. Os detidos são acusados de fazer parte de uma conexão mafiosa que agia nos dois países. Segundo a polícia, os integrantes das “famílias” criminosas não tinham pudor em circular por Nova York com as namoradas em carros de luxo nem em fazer compras de Natal abertamente. Tal comportamento facilitou a localização de alguns membros que eram procurados há anos pela polícia.
As prisões são o ponto culminante de uma operação chamada “Old Bridge”, que fiscalizava famílias mafiosas envolvidas com o tráfico de drogas internacional. Ela está sendo considerada pelas autoridades tão importante quanto a “Pizza Connection”, que desmontou as redes de tráfico entre a Sicília e os Estados Unidos na década de 80. De acordo com as autoridades, vários dos chefões presos em Palermo tentavam retomar suas conexões em território americano através das “famílias” mafiosas Inzerillo e Gambino. "A máfia de Palermo tentou retomar as ligações com os criminosos americanos porque a 'Cosa Nostra' siciliana tinha intenção de voltar ao tráfico de drogas, que é muito mais lucrativo do que as extorsões", disse o procurador de Palermo Francesco Messineo, ao jornal La Sicilia. Entre as prisões decretadas em Nova York está a de Frank Cali, considerado como o chefe da família Gambino. O FBI teria analisado os movimentos financeiros realizados entre Cali e os Inzerillos, grupo mafioso de Nova York. Investigadores italianos gravaram conversas entre um dos chefes dos Inzerillo - Francesco Inzerillo, que atualmente está detido – e alguns parentes que foram visitá-lo na cadeia de Turim, onde está cumprindo pena por tráfico de droga e associação mafiosa. Trechos da gravação estão sendo publicados pelos jornais italianos. Na conversa gravada, o chefão da máfia teria aconselhado os sobrinhos a mudarem de continente. "Você tem que ir embora da Europa, aqui não é possível trabalhar livremente”, disse Inzerillo. "Você é sempre controlado, tem que ir para a América do Sul, Central, para os Estados Unidos", diz um trecho publicado pelas edições online de alguns jornais italianos.
Outro grande chefão capturado na operação policial é Vincenzo Licciardi, chefe de um importante clã da Camorra, a máfia napolitana. Licciardi é considerado um dos 30 criminosos mais procurados da Itália e foragido da justiça desde 2004. Licciardi foi detido na localidade de Cuma, na província de Nápoles, na companhia de sua mulher, Rosaria Iodice, e de outros dois familiares, também detidos por acobertamento.
Outro grande chefão capturado na operação policial é Vincenzo Licciardi, chefe de um importante clã da Camorra, a máfia napolitana. Licciardi é considerado um dos 30 criminosos mais procurados da Itália e foragido da justiça desde 2004. Licciardi foi detido na localidade de Cuma, na província de Nápoles, na companhia de sua mulher, Rosaria Iodice, e de outros dois familiares, também detidos por acobertamento.
Saiba mais
» Megaoperação contra máfia na Sicília e em NY prende 74
» Polícia da Itália e FBI prendem 80 em ação contra máfia
» Detido um dos chefes mais procurados da máfia italiana
» Chefões da máfia italiana têm 300 milhões de euros apreendidos
Em entrevista coletiva, fontes policiais explicaram que durante estes anos, Licciardi costumava se esconder durante três ou quatro meses ao ano em sua casa em Cuma, mas ele também viajou para Portugal, França e Espanha para manter os contatos com o clã Magliari, que controla as rotas de droga na Europa. O detido era considerado o chefe do clã dos Licciardi, um dos mais importantes da Camorra, que comandava a chamada aliança entre famílias da região de Secondigliano.
Do Globo on line com agências Reuters e BBC














Nenhum comentário:
Postar um comentário