O zagueiro romeno do Inter de Milão, Cristian Chivu, constantemente xingado nos estádios do futebol, denunciou o racismo anti-romeno na Itália, em uma entrevista concedida à revista italiana "GQ" que sai às bancas nesta terça-feira.- Será possível que todos os romenos sejam delinqüentes? É muito fácil catalogar um povo inteiro por causa de alguns maus elementos - declara o jogador de 28 anos, que está no Internazionale desde 2007 após quatro temporadas passadas no Roma.
- Vamos falar a verdade. O racismo está em todas as partes na Itália. Em todos os estádios ouço insultos e xingamentos como 'Cigano, vai ser pedreiro'. Mas não estou nem aí. Atrás dos prédios onde cresci havia muitas crianças ciganas, e sempre me dei bem com elas. Cigano não é um insulto para mim", comentou o capitão da seleção da Romênia.
Chivu contou que o momento mais difícil desde sua chegada à Itália, em 2003, foi o período durante o qual se falava da sua transferência para o Inter.
- Estávamos fazendo um treino a portas abertas no estádio Flaminio (em Roma), diante de 25 mil pessoas. Todo mundo começou a me xingar. Contudo, o que mais me afetou foi escutar um dos meus próprios compatriotas gritar: 'Tenho vergonha de ser romeno'" - relata.
Para Chivu, a eleição de Barack Obama (à presidência dos Estados Unidos) e a vitória de Lewis Hamilton na Fórmula 1 são motivos de esperança. Segundo ele, a intolerância pode desaparecer, "mas vai demorar".
- É um processo longo, que envolve todo o mundo. É preciso ter a coragem de afirmar que o racismo existe, senão não é possível combatê-lo - ressalta.
Há alguns meses, vários crimes e delitos envolvendo romenos provocaram uma onda de xenofobia na Itália e suscitaram fortes tensões entre Roma e Bucareste.
Globo on line com agências internacionais













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