Battisti
O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, ironizou ontem as críticas feitas pelo ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, à luta armada ocorrida no país europeu durante a década de 1970, período em que o ex-ativista Cesare Battisti integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Em entrevista à imprensa brasileira, Genro, que em janeiro concedeu o status de refugiado político a Battisti, afirmou que não foi "humanamente aceitável e politicamente justo tomar armas na Itália dos anos 1970". Ao comentar as declarações, La Russa usou a expressão em latim "Excusatio non petita, accusatio manifesta", que diz que quem pede desculpas sem necessidade demonstra que pode ser culpado. O ministro italiano também classificou como "tardia a tentativa de Genro de se distanciar dos terroristas e dos membros das Brigadas Vermelhas, que nos anos 1970 deram vida à luta armada na Itália". Na entrevista, quando foi perguntado se achava que a Itália viveu nos anos 70 um regime autoritário, o que poderia justificar o recurso às armas, Genro negou. Disse que o que houve no país "foi uma insurgência armada contra um governo no âmbito de uma democracia", mas reiterou que "crimes políticos existem mesmo em democracias". Ao conceder o refúgio político a Battisti, Genro alegou que o italiano -- condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos -- havia cometido crimes políticos, e que não poderia ser extraditado porque tem medo de ser perseguido. Para La Russa, as declarações do brasileiro são "desastrosas". O ministro afirmou ainda que a Itália "espera com confiança" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a extradição do ex-ativista, mas garantiu que o país "manterá a atenção sobre o caso".
Da Ansa














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