Algumas medidas do "pacote de segurança" apresentado pelo governo italiano no Parlamento, como a obrigação dos médicos denunciarem os imigrantes ilegais atendidos em instituições públicas, causou polêmicas entre os membros da coalizão que apóia o governo de Silvio Berlusconi, o Povo da Liberdade (PDL) e a Liga Norte (LN). O conjunto de normas foi elaborado pelo ministro do Interior, Roberto Maroni, destacado dirigente da LN (autonomista), que hoje (19) se disse "francamente surpreso" pelo fato de 101 deputados do PDL terem enviado uma carta a Berlusconi para que o "pacote de segurança" não seja submetido ao voto de confiança,o que tornaria impossível a sua emenda na Câmara Baixa do Parlamento. "O projeto foi enviado para aprovação no Senado pelo PDL", declarou Maroni, dirigente da Liga Norte, partido aliado ao governo do premier Silvio Berlusconi. Em entrevista à TV italiana, o ministro defendeu a medida, reiterando a necessidade de que ela "seja discutida no Parlamento", por conta de sua "complexidade". O ministro precisou que o projeto de lei não obrigaria os médicos a denunciar os imigrantes clandestinos que procurassem as estruturas sanitárias públicas, mas sim eliminaria a proibição atual desse tipo de denúncia. "Quem quiser denunciar poderá fazê-lo", explicou. Este é um dos pontos mais controvertidos do "pacote de segurança", junto ao da reforma pela qual a imigração ilegal deixa de ser uma infração administrativa e se transforma em um crime. Amplos setores da sociedade italiana, assim como a Igreja Católica, se manifestaram contra estes aspectos do projeto de lei. Ontem (18), a deputada governista Alessandra Mussolini assinou com outros 100 parlamentares uma carta em repúdio à medida proposta pelo governo de obrigar os médicos a denunciarem imigrantes ilegais. Mussolini sustentou que o presidente da República, Giorgio Napolitano, e o da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, "são sensíveis à necessidade de não penalizar mulheres e crianças" com normas contra a imigração ilegal. De Bruxelas, onde participa da cúpula da União Europeia de preparação para o G20 que se realizará em Londres em 2 de abril próximo, Berlusconi concordou com Maroni ao afirmar que houve um "mal entendido" sobre o "pacote de segurança", mas criticou a Liga por suas exigências políticas dentro da maioria. O Ministério do Interior tem assumido uma postura cada vez mais severa em relação à imigração ilegal na Itália. Medidas como a de transformar Centros de Primeira Recepção em Centros de Identificação e Expulsão têm causado polêmica, principalmente nas regiões do país com maior número de imigrantes. Por conta de sua política de imigração, no fim de janeiro o governo enfrentou uma série de protestos na ilha siciliana de Lampedusa, considerada a principal porta de entrada da Europa para imigrantes ilegais vindos da África. Da Ansa













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