segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rede estimula leitura

Computadores e internet explodiram nos últimos 10 anos e os consumos culturais dos jovens entre os nove e os 19 anos mudaram radicalmente entre 1998 e 2008. Do ano 2000 a 2008, o uso da rede cresceu 22% e o de computadores pessoais (PC) 21,9%. Em paralelo, também aumentou a leitura, dando razão às teses de Umberto Eco, para quem o retorno da escrita, graças à Internet, estimularia a aproximação dos jovens aos livros. Os números indicam que dos 52,1% de 1998, os jovens leitores (dos 6 aos 19 anos) passaram a ser 56,6% em 2008; e os níveis de leitura entre os que usam o PC são decididamente superiores aos daqueles que não usam.


Convivência pacífica e estimulante - As páginas dos livros e as novas tecnologias convivem no mercado de consumos e das jovens gerações da população italiana, como confirmam ao Instituto Italiano de Estatísticas (Istat) os dados da pesquisa NielsenBookScan realizada em uma amostra representativa de 20 mil famílias italianas e apresentada no convênio 'Crianças e jovens: como lêem e compram hoje os clientes da livraria do amanhã', organizado pela Associação Italiana dos Editores (AIE), em colaboração com a Feira do Livro de Turim. Os livros superam a internet e os eventos desportivos no dia a dia dos jovens: as leituras não escolares nos consumos culturais de quem tem entre 6 e 19 anos se situam no quarto lugar (TV excluída). Seguem-se cinema, PC e rádio. Surpreendentemente, como frisam os pesquisadores, os livros estão à frente da Internet, dos espetáculos desportivos e também de shows e baladas. Em resumo, os jovens usam a internet quase quanto os livros, e não acima destes. Cerca de 56,6% dos jovens italianos até os 19 anos lêem, 53,3% usam a internet e só 23,1% vai a concertos. Isso é ainda mais marcante em algumas faixas etárias: entre os pequenos, dos 6 aos 10 anos, a leitura de um livro não escolar aparentemente é mais comum do que ouvir o rádio ou navegar na web e, mesmo encurtando as distâncias, isso também é válido entre os que tem entre 11 e 4 anos. Por todos estes motivos, o mercado do livro para jovens continua a mostrar uma evolução melhor em relação ao mais geral mercado da livraria + internet: enquanto o mercado adulto entre 2007 e 2008 permanece estável (-0,6%) apesar da conjuntura econômica e dos consumos das famílias, aquele infanto-juvenil cresce 10%. Tanto isso é verdade que na livraria e canais on-line, o livro para jovens já pesa 14,1%. Sobre o crescimento do setor em 2008, em relação a 2007, certamente incidiu a publicação em janeiro do ano passado de Harry Potter e é bem provável que o lançamento do livro tenha levado crianças e pais a também comprarem outros livros. Em termos absolutos, se o primeiro trimestre de 2009 indica uma flexão em relação ao correspondente período do ano anterior (-22,8%), depurando os dados de mercado do fenômeno Harry Potter, o primeiro trimestre deste ano indica também uma evolução positiva: +0,4%. "Ciente dessa realidade, este é o momento de elaborar estratégias adequadas", conclui Fedrico Motta, presidente da AIE.

Da Ansa

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