quarta-feira, 26 de maio de 2010

Os 50 anos de La Dolce Vita

No ano em que se comemora o meio século de 'La dolce vita', várias iniciativas estão agendadas sobre Federico Fellini em sua cidade natal. Mas a Rimini narrada pelo diretor de 'Amarcord' já não existe há décadas. Ao contrário, o relacionamento da cidade com um de seus filhos mais ilustres, continua bastante problemático, apesar das várias homenagens locais dedicadas ao grande Fellini, entre as quais o aeroporto, uma escola, a mais bela praça e as ruas que acompanham a costa e que levam o nome de seus filmes.

Uma espécie de ódio-amor entre o mito do cinema e a capital do turismo, que gira exatamente ao redor destas duas palavras: cinema e turismo. E cinema entendido também como espaço físico: o 'Fulgor', um dos poucos que ainda estão abertos no centro da cidade, onde o jovem Federico assistiu a seus primeiros filmes, está sendo restaurado.

Depois de concluída esta obra (que se espera esteja pronta até o 20º aniversário de sua morte, em 2013), o novo Fulgor abrigará a Casa-Museu dedicada ao cineasta, uma biblioteca-cinemateca e duas salas para as projeções. Tudo desenhado por Dante Ferretti, famoso e respeitado cenógrafo italiano, que conquistou o Oscar por alguns filmes fellinianos.

A conclusão do 'Fulgor' poderia ajudar a colocar um ponto final na complicada disputa entre os herdeiros do diretor e a Fundação Fellini: esta última tinha sede na casa da família Fellini, para quem pagava aluguel. Mas foi despejada pelos herdeiros e atualmente está temporariamente em um prédio público.

Os livros que pertenceram ao diretor, milhares de volumes, estão amontoados em uma garagem, enquanto os muitos prêmios (entre os quais as estatuetas dos Oscar) estão esquecidos nos porões escuros de um banco. São relíquias que fariam a alegria de colecionadores, mas a sobrinha Francesca Fabbri Fellini não quer de forma alguma deixá-los para a Fundação.

É aqui que se reforça o relacionamento problemático entre os Fellini e a cidade, que surgiu há mais de 50 anos quando o município quis presentear o diretor com uma pequena vila: ele aceitou o reconhecimento com gratidão, mas depois, por uma série de equívocos, o presente nunca lhe foi entregue e ele ficou ofendido.

Tanto que entre seus conterrâneos, corria um episódio: Federico, recente vencedor de um Oscar, passeia na praia durante o inverno e encontra um amigo de infância. O que você faz, como está? Federico, surpreso, responde: "Faço cinema...". E o amigo orgulhoso se vangloria de suas duas lojas. Daqui o cineasta deduziu a mentalidade local: dinheiro vence cultura, por duas lojas contra um Oscar.

Agora a Fundação, que passa por dificuldades por conta de um rombo de € 300 mil, está na mira dos sócios, as instituições locais, que diante da renegociação da dívida, pretendem a renovação total da sociedade, presidida pelo diretor Pupi Avati e dirigida por Vittorio Boarini.

"Eu resisti bravamente. Há cinco anos quis me afastar, mas anualmente me pediam para ficar... Porque aqui estamos assistindo a uma guerra interna entre diversas escolas de pensamento", comentou Avati recentemente.

Sobre o assunto, também deverá se pronunciar a Região Emilia Romagna, que tem um novo assessor à cultura, Massimo Mezzetti.

Foi assim que surgiu a ideia de dedicar à 'La dolce vita', a Noite Rosa deste ano, uma espécie de Reveillon do verão, com a participação de milhares de pessoas.

O evento está agendado para 2 de julho e terá uma dezena de shows e performance ao longo dos 110 quilômetros da costa romagnola e emiliana, sob o lema de "a vida é doce na riviera".

'La Dolce Vita" em 3D custa  € 12 milhões -   A moda da conversão dos clássicos em 3D poderá incluir também grandes filmes, mas a um custo elevado: para converter 'La dolce vita' seriam necessários € 12 milhões.    A conversão tridimensional custa entre US$ 80 mil e US$ 100 mil por minuto.

Em Cannes, a Reliance MediaWorks e sua empresa In-Three, especializada em 3D, explicaram a questão. "Não há nenhum problema tecnológico, mas só de tempo e dinheiro", disse Damian Wader, vice-presidente de Desenvolvimento Comercial.

A In-Three está agora convertendo em 3D os filmes 'Titanic', 'Star Wars' e 'Matrix'.
 
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