Roma - Elas nasceram na Itália mas, em respeito às tradições - não religiosas, mas culturais dos países de origem dos pais, correm o risco de sofrerem infibulação.
Este é o possível destino de três mil meninas que atualmente residem na Itália, revela estudo do hospital romano San Camillo-Forlanini, divulgado por ocasião do Dia Mundial da mutilação genital feminina, que se celebra nesta segunda-feira.
"O nosso estudo cruzou os dados das imigrantes de países onde a prática das mutilações genitais é muito arraigada, com aqueles epidemiológicos das meninas nascidas na Itália de famílias provenientes dessas partes do mundo. O que descobrimos é que entre 2 mil e 3 mil dessas crianças correm o risco de sofrerem infibulação", disse à ANSA Aldo Morrone, diretor-geral do citado hospital.
A infibulação é muito comum no Corno de África, Egito, Sudão e Mali, e consiste na costura dos lábios vaginais ou do clitóris, ou na remoção parcial do órgão genital, com cauterização sucessiva que, muitas vezes, provoca infecções e problemas durante o parto.
"Em todos os grandes hospitais italianos se registram casos de mulheres que sofreram mutilações e que chegam ao parto em condições críticas. Também recebemos solicitações de jovens mulheres que querem ser infibuladas", disse ele.
Um dos casos observados por Morrone se refere a "uma menina de origem somali que pediu para ser infibulada, mas na Itália esta prática é proibida por lei (e é punida com a reclusão por até 12 anos). Passado um ano, retornou ao hospital: ela conseguiu ser operada na Suécia, mediante pagamento, mas voltou a nos procurar porque teve problemas com os ferimentos".
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