
O novo primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, obteve nesta
terça-feira (30) o último voto de confiança necessário para a sua
coalizão, e agora deve sair em viagem pela Europa para defender medidas
que priorizem mais o crescimento econômico do que a austeridade fiscal.
Antes mesmo de partir, ele já começou a sofrer pressão de sócios da
coalizão para renegociar o compromisso italiano de manter seu orçamento
dentro das regras da União Europeia. Essse é um primeiro indício dos
malabarismos que ele terá de fazer à frente de uma disparatada coalizão
que reúne a direita e a esquerda.
Letta, que tomou posse no domingo, já havia recebido um voto de
confiança da Câmara dos Deputados na segunda-feira, e nesta terça foi
confirmado com facilidade pelos senadores.
O primeiro destino da sua viagem será Berlim, onde ele se reunirá com a
chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, grande defensora
das impopulares medidas de austeridade orçamentária na Europa.
Na quarta-feira (1°), Letta viaja a Paris, onde deve encontrar um
aliado no presidente da França, François Hollande, que defende menos
medidas de austeridade e mais ações em prol do crescimento. Em seguida,
ele vai a Bruxelas, onde será recebido pelo presidente da Comissão
Europeia, José Manuel Barroso.
Letta, de 46 anos, assume um país - terceira maior economia da zona do
euro - em grave crise. O desemprego é o maior em 20 anos, e a recessão,
já uma das mais prolongadas desde a Segunda Guerra Mundial, deve
perdurar pelo resto do ano.
Num sinal da intensa pressão que Letta enfrentará, o ex-premiê Silvio
Berlusconi ameaçou retirar seu partido Povo da Liberdde (PDL), de
centro-direita, da coalizão se o novo gabinete não abolir um impopular
imposto habitacional.
Ele também defendeu que o governo renegocie os compromissos de déficit da Itália junto à UE, ecoando declarações semelhantes feitas anteriormente por dois ministros de Letta.
Mas a chanceler Emma Bonino respondeu que a Itália não pode alterar
suas metas, uma opinião repetida por um porta-voz da Comissão Europeia
em Bruxelas. "As metas, os objetivos continuam sendo aqueles que foram
aceitos", afirmou Simon O'Connor.
Falando ao Senado antes do voto de confiança, Letta disse que vários
outros países além da Itália precisam abrandar as medidas de austeridade
para reagirem à crise.
"O que está acontecendo na Itália está acontecendo em toda a Europa",
disse Letta. "Ou há um destino europeu comum, ou cada país irá afinal
decair no seu próprio".

Enrico Letta toca o sino de prata e abre oficialmente a primeira reunião de seu gabinete
(Foto: Reuters/Giampiero Sposito)
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