sábado, 17 de janeiro de 2009

Eluana: clínica recua sobre eutanásia



Beppino Englaro

A clínica Città di Udine, que havia se disponibilizado a desligar os aparelhos que mantêm há 16 anos a italiana Eluana Englaro em estado vegetativo, anunciou ontem que não realizará a operação por temer as consequências que o fato teria do ponto de vista administrativo.

O pai de Eluana, Beppino Englaro, trava há dois anos uma disputa judicial para que seja autorizado o desligamento da sonda que alimenta e hidrata sua filha. No último mês de julho, a Corte de Apelação de Milão concedeu sentença favorável ao pedido do pai, o que foi confirmado pelo Tribunal de Cassação. Contudo, a liberação da Justiça não foi o suficiente, pois em dezembro, o ministro da Saúde, Maurizio Sacconi, emitiu uma circular em que proibia qualquer centro médico público ou privado de interromper a alimentação de pacientes em estado vegetativo. Sacconi reforçou que "se forem registrados descumprimentos (de sua circular) em um estabelecimento 'convencionado', isto causaria um problema para os responsáveis do serviço de saúde da região envolvida, e consequências administrativas". Por isso, no comunicado divulgado ontem, os responsáveis da clínica da cidade de Udine consideram "provável que, caso aconteça a internação de Englaro para o protocolo previsto, o ministro (da Saúde) pode tomar medidas que colocariam em perigo a autorização para sua estrutura funcionar, arriscando o emprego de cerca de 300 pessoas". Beppino Englaro e Franca Alessio, tutora de Eluana, reagiram ao anúncio da clínica declarando que respeitam a decisão contrária adotada por Città di Udine após a circular do ministro Sacconi. Os responsáveis pela italiana em coma agradeceram também a "direção da clínica pela grande humanidade, disponibilidade e generosidade que demonstrou até o último dia 16 de dezembro", data em que foi emitida a circular de Sacconi. A decisão da clínica gerou novas polêmicas na Itália, dividindo os que sustentam que a circular do ministro Sacconi não pode impedir a aplicação de uma determinação judicial, e os que insistem que o desligamento das sondas significaria matar de sede e de fome Eluana Englaro.

Com informações da Ansa

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