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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Projeto de lei italiano propõe prender pais que imponham dieta vegana aos filhos

Prato veganoImage copyrightTHINKSTOCK
Image captionA dieta vegana precisa ser complementada com nutrientes para as crianças
Da BBC 
Um projeto de lei em discussão no Parlamento da Itália defende condenar à prisão pais que imponham uma dieta vegana aos filhos.
De acordo com a proposta - de autoria do partido de centro direita Forza Italia e ainda não votada -, esse tipo de dieta "é desprovido de elementos essenciais para a saúde e o crescimento equilibrado das crianças".
Pela proposta, pais que não cumprirem com a regra poderiam ser condenados a 12 meses de prisão, que podem chegar a quatro anos caso a criança sofra de doença ou lesão permanente e a seis anos em caso de morte.
A medida foi apresentada depois de quatro casos de má nutrição infantil terem resultado, no último ano e meio, na hospitalização de crianças italianas que seguiam dieta vegana.
Ao mesmo tempo, vários órgãos, como a Associação Americana de Nutrição, afirmam que as dietas veganas são apropriadas para crianças, desde que sejam tomados cuidados para garantir que elas recebam uma ampla variedade de nutrientes necessários, especialmente a vitamina B12.
Alguns médicos acreditam que os pais de algumas das crianças que foram hospitalizadas podem não ter entendido como complementar uma dieta vegana de modo seguro.
Segundo a agência Reuters, o projeto de lei será discutido por comitês parlamentares antes de ir a plenário, o que deve acontecer ainda neste ano.
Nesse período, outros três projetos rivais estão em discussão - todos propõem tornar opções veganas e vegetarianas mais comuns nas cantinas italianas.
'Perigoso'
Na introdução do projeto de lei, Elvira Savino, autora do texto, critica a propagação, na Itália, da ideia de que as dietas vegana e vegetarianas trazem "benefícios significativos à saúde".
"Não há objeção se a pessoa que faz essa escolha é um adulto informado. O problema surge quando há crianças envolvidas. A dieta vegana é, de fato, deficiente em zinco, ferro, vitamina D, vitamina B12 e ômega 3", diz o texto.
O projeto visa, segundo ela, "estigmatizar o comportamento alimentar imprudente e perigoso imposto pelos pais" que buscam uma dieta vegana "em detrimento das crianças".
Enquanto alguns especialistas em nutrição desafiam a validade do projeto de lei, outros são cautelosos sobre o vocabulário impreciso usado no texto, que pode ser usado para penalizar uma gama muito maior de pais: não apenas os vegetarianos e veganos, mas também os de crianças obesas, por exemplo.
Outros afirmam que uma educação pública mais eficaz sobre saúde seria mais eficiente do que medidas punitivas para melhorar a nutrição das crianças.
A Sociedade Vegetariana Brasileira argumenta, por sua vez, que "quando a dieta vegetariana é seguida no longo prazo, reduzimos as taxas de mortalidade de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e obesidade, que são fatores que colocam a qualidade e expectativa de vida em risco". A organização também afirma que nutrientes como ômega-3 e ferro estão presentes em alimentos da dieta vegana, compensando sua ausência de origem animal.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Justiça do Vaticano ditará amanhã sentença sobre caso 'Vatileaks 2'

Da EFE

Jornalistas italianos Gianluigi Nuzzi (direita) e Emiliano Fittipaldi (esquerda) chegam ao tribunal para uma audiência em seu julgamento em 04 de julho de 2016 . (Foto: Maurizio Brambatti/ANSA vía AP Foto)

Justiça do Vaticano deve ditar nesta quinta-feira (6) a sentença do processo por divulgação de documentação sigilosa da Santa Sé no qual cinco pessoas foram acusadas.
O Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano convocou uma audiência para às 11h30 (horário local, 6h30 em Brasília) na qual os acusados poderão dar as últimas palavras. Em seguida, os juízes sairão para deliberar e, posteriormente, é esperado, segundo o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, que ditem a sentença em primeira instância para este processo, que começou em 24 de novembro.
Nos últimos três dias foram escutados o procurador de justiça e os advogados dos acusados, que solicitaram a absolvição para seus respectivos clientes. O principal acusado é o padre espanhol Lúcio Vallejo e os atos se emolduram em torno do funcionamento da já extinta Comissão Investigadora dos Organismos Econômicos e Administrativos da Santa Sé (COSEA), onde Vallejo era secretário e de onde veio a maior parte da documentação divulgada.
Francesca Chaouqui chega para audiência do Vatilekas 2 nesta segunda-feira (14) (Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP)Francesca Chaouqui chega para audiência do Vatilekas 2 em março (Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP)
Também são acusados os ex-membros desta organização Francesca Chaouqui e Nicola Maio e os jornalistas que publicaram em livros a informação sigilosa, Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi. Vallejo, Chaouqui e Maio são acusados de divulgação de segredos e de formação de quadrilha, enquanto os jornalistas só respondem a primeira acusação.
Ontem os advogados de Vallejo e de Chaouqui pronunciaram suas alegações finais e hoje foi o a vez dos demais acusados.
A advogada de Maio, Rita Claudia Baffioni, disse que o promotor "não conseguiu provar a culpabilidade" de seu cliente e destacou que, entre as várias mensagens trocadas entre os acusados, "nenhuma é de Maio". Ressaltou que os jornalistas confessaram que tinham conhecido Maio durante o processo e reivindicou sua absolvição, reforçando que "é evidente que ele é alheio a todos os fatos".
Já o advogado de Nuzzi, Roberto Palombi, qualificou seu cliente como "um cidadão italiano que exerceu a liberdade de imprensa sem prejudicar nem sequer minimamente a paz e a segurança do Estado Vaticano".
A defesa de Fittipaldi, Lucia Teresa Musso, afirmou que seu cliente, ao publicar a informação, "defendeu a liberdade de imprensa e o direito do leitor a estar informado" e ressaltou que a promotoria não encontrou bases para culpá-lo.
Após a intervenção dos advogados foi o momento da réplica dos procuradores, que se centraram especialmente em evidenciar que há provas que Francesca participou da transferência de dados, uma tese rebatida firmemente por sua advogada. O promotor Roberto Zannotti aludiu ao comportamento "estranho" da acusada, que em princípio confessou sua participação, mas depois mudou de versão e afirmou que no celular que usou na fase de investigação tinha apagado o aplicativo de Whatsapp, de onde aparentemente mandou informação secreta.
Ela reiterou sua solicitação de pena: três anos e nove meses de prisão para Francesca, três anos e um mês para Vallejo, um ano e nove meses para Maio, um ano para Nuzzi e a absolvição de Fittipaldi.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Concordia, la Corte d'appello conferma la condanna a 16 anni e 1 mese per Schettino

FIRENZE La sedia dell'imputato, nell'aula del Palazzo di giustizia di Firenze, è stata ancora una volta vuota. Come in tutte le dieci udienze del processo d'appello, e come durante la sentenza di primo grado a Grosseto. E identico al primo grado è stato anche il verdetto: la conferma a 16 anni e 1 mese di reclusione per l'ex comandante della Costa Concordia Francesco Schettino, unico imputato per il naufragio all'Isola del Giglio. Era il 13 gennaio 2012, le vittime furono 32, oltre 100 i feriti.

Questa volta Schettino ha aspettato la sentenza nella sua casa di Meta di Sorrento (Napoli). Non è uscito per tutto il giorno, neanche per prendere il caffè. Una lunga attesa iniziata fin dal mattino e che si è conclusa alle 20.30 quando la Corte, dopo oltre otto ore di camera di consiglio, ha pronunciato la sua decisione: ricorsi delle parti "inammissibili" - hanno letto i giudici -  sia quello della procura di Grosseto che dei difensori dell'ex comandante. E così condanna confermata in pieno con la Corte  che ha anche disposto l'interdizione dai titoli professionali marittimi per cinque anni in relazione al delitto di naufragio colposo, e lo ha condannato al pagamento delle ulteriori spese processuali. Il procuratore generale aveva chiesto 27 anni, uno in più della richiesta del pm nel processo al tribunale di Grosseto.

Le reazioni. A Schettino la decisione è stata annunciata per telefono dal suo difensore Donato Laino: "Vogliamo capire come mai la Corte è arrivata a confermare la condanna", ha detto - la sentenza non ha tenuto in conto le nostre argomentazioni".Nessun commento ma palese soddisfazione invece tra i banchi dell'accusa. Il sostituto procuratore generale Giancarlo Ferrucci non ha voluto rilasciare alcuna dichiarazione. I pm di Grosseto Alessandro Leopizzi e Maria Navarro, pubblica accusa al processo di primo grado, presenti a palazzo di giustizia di Firenze, si sono limitati a dire ai giornalisti di osservare la soddisfazione che avevano sul volto.


I processi. Schettino era già stato condannato in primo grado a 16 anni e un mese l'11 febbraio 2015.   Il processo - con 100 faldoni e 56.000 pagine - cominciò formalmente il 9 luglio 2013 con un'udienza lampo, a causa di uno sciopero degli avvocati. Le parti iniziarono poi ad affrontare il tema dal 17 luglio 2013. Da lì, dopo 71 udienze e circa 600 ore di dibattimento, con 180 testi e 18 periti, arrivò la sentenza pronunciata dal collegio del tribunale di Grosseto il 9 febbraio 2015 al Teatro Moderno.


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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Morte de juiz símbolo da luta contra máfia italiana completa 20 anos

Foto AP

Na Itália, os anos 1980 foram marcados pelo assassinato de policiais e juízes por mafiosos - como Cesare Terranova, Rocco Chinnici, Emanuele Basile, Giuseppe Montana - em especial, na Sicília, onde o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção dominavam a economia

O juiz italiano Giovanni Falcone dedicou sua vida a combater a máfia na região da Sicília, onde atuava. Sua cruzada foi interrompida há 20 anos - em 23 de maio de 1992 - quando o carro em que estavam ele, sua esposa e guarda-costas foi explodido em um atentado criminoso. Esse "servidor do Estado" - como gostava de se descrever - deixou um legado duradouro ao sistema judiciário mundial

http://noticias.terra.com.br

sábado, 13 de fevereiro de 2016

l boom delle prescrizioni: "cancellati" 132mila processi


ROMA - Deceduti per prescrizione. Ben 132.296 processi nel 2014 negli uffici giudiziari italiani. Con un record nel record, visto che, rispetto al totale, 81.879 cadono prima ancora di arrivare al dibattimento. Come si dice tecnicamente, non superano la fase delle indagini preliminari. A leggerle in percentuale le cifre fanno colpo: nell'ultimo decennio sono finiti al macero il 9,2% dei processi.

Ecco gli ultimi dati sulla prescrizione, in possesso di Repubblica , elaborati negli uffici del ministero della Giustizia. Il dossier si apre con il classico prospetto sull'andamento degli ultimi dieci anni, dal 2005, quando a dicembre, dal governo Berlusconi, fu approvata la legge ex Cirielli sulla prescrizione breve, alla fine del 2014. Il dato complessivo, "il totale dell'ultimo decennio", parla di 1.468.220 prescrizioni. Si parte con le 189.588 del 2005, per calare progressivamente alle 113.671 del 2012. Ma dal 2013 il trend cresce, 123.249 nel 2013, e siamo alle 132.296 di due anni fa.

Dati disaggregati città per città su cui è inevitabile riflettere politicamente, visto che al Senato è in attesa da molti mesi una legge che cambia il sistema della prescrizione, legge già approvata alla Camera con un forte attrito all'interno della maggioranza tra Pd e Ncd, all'origine della frenata successiva che ha fatto arenare il ddl a palazzo Madama. Ma proprio i nuovi dati di via Arenula costringeranno il governo a fare una riflessione perché dimostrano, come vedremo, che due terzi dei processi soccombono subito, senza arrivare neppure al dibattimento, per cui si impone un interrogativo: ha senso allungare la prescrizione di tre anni, due in fase di Appello e uno in Cassazione, se tanto i processi si prescrivono prima?

Ma guardiamo i dati. A partire da che cos'è la prescrizione, bestia nera dello scontro politico, visto che la destra vuole tenerla breve e la sinistra vorrebbe allungarla. Tecnicamente, la prescrizione è il tempo, stabilito per legge, concesso allo Stato per perseguire un reato ed esercitare l'azione penale. Se quel tempo si esaurisce non è più possibile indagare. I dati complessivi del 2014 confermano un trend simile a quello degli anni precedenti: il dato shock degli oltre 80mila fascicoli che si chiudono nella fase delle indagini preliminari, poi i 23.740 che non riescono a superare il giudizio di primo grado. Altri 24.304 "morti" durante il processo di appello. In Cassazione, dove la gestione delle prescrizioni è praticamente matematica, si chiudono solo 930 casi.

Ma è il lungo elenco delle prescrizioni maturate tribunale per tribunale che svela quella che l'ex vice ministro della Giustizia Enrico Costa, fresco di nomina al dicastero degli Affari regionali e con delega alla Famiglia, definisce "una giustizia a macchia di leopardo". L'incidenza tra processi definiti e processi prescritti mette al primo posto Torino, con il 34,3 per cento. All'ultimo Bolzano con lo 0,4 per cento. Tra i poli opposti ecco Milano attestata l'11,1%, Bari con il 9,2%, Napoli ferma all'8,8%, Palermo al 6,3%, Catania al 5%, Firenze e Roma affiancate con 4%, Caltanissetta è al 3%, Gela al 2,1%, Napoli Nord all'1,7%, Aosta all'1,4%, l'Aquila all'1,3 per cento. Solo cinque città sono sotto lo "zero virgola".

Oggi Costa, all'inaugurazione dell'anno giudiziario delle Unione delle Camere penali che si tiene a Verona, invierà una lettera proprio per denunciare l'alto tasso di prescrizioni. Un pallino il suo, che non contrasta con il suo passato forzista, perché la sua tesi è che la prescrizione non dipende dal fatto che sia lunga o corta, ma dall'organizzazione degli uffici. Dice Costa: "A livello nazionale la percentuale delle prescrizioni è pari all'8,6% rispetto al totale dei procedimenti definiti. Ma analizzando i dati tribunale per tribunale emergono performance, in positivo e in negativo, molto diverse tra loro, frutto di scelte organizzative non coincidenti".

La sua tesi, di conseguenza, è che "non è risolutivo un mero allungamento dei termini di prescrizione, ma occorre intervenire sulla gestione degli uffici e sulla selezione nei ruoli dirigenziali di vere e proprie figure manageriali". Ne consegue che Costa, e con lui tutti gli alfaniani che esprimono da due settimane anche il presidente della commissione Giustizia del Senato - l'avvocato reggino Nico D'Ascola - dove "giace" la legge sulla prescrizione , vogliono fermare l'ipotesi del Guardasigilli Andrea Orlando, tre anni in più per ogni tipo di reato.

La querelle è politica. Ovviamente coinvolge anche il Csm chiamato a decidere i capi degli uffici, alle prese proprio in questi giorni con la scelta del procuratore di Milano e con ben cinque procuratori aggiunti di Roma. Buoni manager e organizzatori oppure toghe famose come Francesco Greco a Milano, Giuseppe Cascini, Paolo Ielo e Rodolfo Sabelli a Roma? I conti si faranno adesso sulle statistiche. L'Italia "leopardata" in cui si mescolano Nord e Sud: la nordica Venezia ha il 23,7% di prescrizioni, Nocera Inferiore il 22,7. All'opposto, tra i migliori, ecco Verbania con l'1,7% seguita a ruota da Cosenza con l'1,6. Su queste tabelle si gioca la partita del dopo Cirielli.

www.repubblica.it

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A vida secreta de um caçador de mafiosos na Itália

Policial conta como chegou a esquadrão de elite, como teve de esconder 'identidade', inclusive da namorada, e que monitorar grampos de telefone era como ouvir programa de rádio.


Da BBC - A máfia tem feito parte da vida na Sicília por gerações, assim como a luta da polícia para tentar prender seus líderes.

O esquadrão de elite que tenta prendê-los é conhecido como os Catturandi ("capturadores", em tradução livre para o português).
Um dos integrantes desse grupo falou à BBC sobre o obscuro mundo em que trabalha - e sobre como escondeu seu trabalho até de sua namorada, até que ela reconheceu seu traseiro na TV.
Esse é, aliás, o único momento em que se pode ver um membro dos Catturandi, quando ele está prendendo um mafioso. Normalmente, são pessoas sem nome e sem rosto.
Quando estão trabalhando em operações, aparecem usando gorros onde só se veem os olhos, para que não sejam identificados.
"Preferimos que nos chamem de 'grupo de leões', porque é isso que somos: selvagens, livres e prontos para atacar na selva em qualquer momento", afirma I.M.D, iniciais do oficial, que não quis ter sua identidade revelada.
Anonimato
São menos de 20 pessoas na unidade. As razões pelas quais eles querem manter anonimato são bastante óbvias.

"Há um tempo recebíamos ameaças de morte por parte dos mafiosos", conta. "Chegavam a enviar cabeças de cabra para a sua casa. Era bem desagradável".
Nos anos 90, ele também recebeu fotos do documento de seu carro, marcadas com uma cruz vermelha. Esse tipo de ameaça fez com que muitos de seus colegas deixassem os Catturandi.
Ele e seus companheiros grampeiam telefones de criminosos e os seguem por períodos que podem chegar a décadas antes de prendê-los.
"É como se você vivesse com essas pessoas. Porque você os escuta quando estão com os filhos, quando falam de assuntos familiares, vê como os filhos vão crescendo e até entra em contato com as emoções dessa pessoa", conta.
Dicas de literatura
Uma das pessoas grampeadas era um médico de Palermo, capital da Sicília, que atualmente está preso.

"Ele era muito culto", reconhece o policial. "Só de fazer a escuta já se aprendia sobre literatura italiana. Fazíamos muitas anotações, líamos os livros que ele indicava aos filhos. Era como escutar um programa de rádio."
"Estávamos fascinados por seus hábitos, sua forma de pensar e sua criatividade. Era difícil acreditar que se tratava de um mafioso."
I.M.D. diz que chega a sentir falta da pessoa que monitorava quando esta era presa.
"Você não o vê mais. É difícil psicologicamente lidar com isso, já que eles faziam parte da sua vida diária. Você até a sentir saudade deles."
Tortura
Nas duas décadas que está na polícia, I.M.D já ajudou a prender 300 mafiosos. Um dos que prendeu foi Giovanni Brusca, famoso por sequestrar e torturar um menino de 11 anos, filho de um mafioso que supostamente o havia traído.

Brusca ordenou que o menino fosse morto e que seu corpo fosse dissolvido com ácido para que sua família nunca pudesse enterrá-lo.
No momento da prisão, quando os Catturandi invadiram a casa do mafioso, I.M.D. disse que teve sentimentos contraditórios.
"Eu queria lhe fazer muitas perguntas: por que você assassinou o garoto? Como você pode fazer isso com outro ser humano?"
Mas em geral há poucas oportunidades de falar com eles.
"Quando prendemos Brusca, conhecido como 'o Porco', ele começou a chorar como um bebê", disse.
"No caso de Provenzano, um chefão da máfia, ele se manteve em silêncio e sussurrou no meu ouvido: 'Você não sabe o que está fazendo'. Mas o que conta é que finalmente ele foi preso."
Brusca foi uma figura que, indiretamente, inspirou I.M.D a entrar para a polícia.
Em 23 de maio de 1992, a Máfia colocou meia tonelada de explosivos em uma estrada que ia até o aeroporto de Palermo, assassinado o maior juiz antimáfia da Itália, Gionanni Falcone.
"Estava na festa de 18 anos da minha namorada", conta o policial, sobre uma época em que ainda era estudante de biologia.
"O pai dela era chefe da força de intervenção da polícia de Palermo. O pager dele e dos outros policiais da festa começaram a tocar ao mesmo tempo e, ao ler a mensagem, todos eles começaram a chorar."
I.M.D quis saber o que estava acontecendo e foi de moto até o centro da cidade. Lá viu um grupo de jovens rindo, se divertindo e comendo. Cheguei perto deles e disse que o juiz Falcone havia sido assassinado. "E eles me perguntaram 'Que diferença isso faz pra gente?'."
"No dia seguinte eu me inscrevi para trabalhar para a polícia e poder prender o máximo de bandidos possíveis."
"A maioria das pessoas que te conhecia, deixaria de conversar contigo ou cuspiam na sua cara, porque ser da polícia era considerado uma traição."
Em uma de suas missões, o policial acabou conhecendo sua atual namorada. Ela não sabia o que ele fazia realmente - ele dizia que trabalhava no departamento de passaportes da polícia.
Mas quando ele e seus colegas prenderam Brusca, ninguém tirava os olhos da TV para acompanhar a operação.
"Quando minha esposa (que na época era namorada) viu os policiais com os gorros em que só se vê os olhos, ela acabou reconhecendo um traseiro que lhe era familiar – e em seguida me ligou. Não podia continuar enganando ela e pedi que ela não contasse nada para ninguém. Por sorte, ela concordou e manteve isso em segredo."
Máfia menos poderosa
A máfia siciliana não é mais tão poderosa como há 20 anos, mas segue sendo um problema para a ilha.

"Sabemos que não podem mais matar as pessoas como costumava fazer. E agora o sistema da máfia se transformou em uma intrincada rede de interesses que envolvem a política, as finanças e a estrutura da sociedade siciliana", explica o policial.
Para alguns, especialmente os jovens e turistas, a máfia ainda mantém uma aura romântica.
Nas lojas de Palermo, há camisetas do Poderoso Chefão e isqueiros em forma de armas. Uma dessas lojas fica a apenas uma quadra da rua onde, em 1992, uma bomba colocada pela máfia matou outro juiz, Paolo Borsellino.
Conhecido como "o homem bom de Palermo", ele ficou famoso por sua luta contra o crime organizado.
"Essas ruas são um paradoxo, assim como essa cidade", afirma I.M.D. "Gostaríamos de ser tão civilizados como o resto do mundo, mas não conseguimos deixar de sentir uma fascinação perversa pelo submundo do crime."

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Itália dá início a megajulgamento contra rede de corrupção em Roma

ROMA - A Itália deu início nesta quinta-feira a um ‘megajulgamento’ contra os supostos chefes de um esquema mafioso com ramificações em quase todos os setores da prefeitura de Roma. O caso é tido como um dia histórico para a luta contra o crime organizado.

O caso foi revelado em dezembro de 2014 com a prisão de 37 pessoas, entre eles políticos que vão da esquerda à direita. Ao menos cem pessoas comparecerão diante do tribunal em mais de 130 audiências.




No total, 46 pessoas deverão comparecer diante do tribunal por supostamente fazerem parte de uma rede de criminosos, empresários, funcionários e políticos de vários partidos formada a partir das licitações públicas de Roma em setores como imigração, refugiados, limpeza urbana e lixo. O principal acusado é Massimo Carminati, ex-terrorista de extrema-direita com longa trajetória criminosa.

— Este é um miniprocesso, manipulado pela imprensa. Isto não é máfia, é só corrupção. Este país está murcho, moralmente murcho — ironizou Bruno Naso, advogado de Carminati, mais conhecido como "O caolho" por ter perdido um olho em um confronto com a polícia.

Carminati e sua mão direita, Salvatore Buzzi, chefe de cooperativas que trabalham para a prefeitura, deverão responder por associação mafiosa, corrupção, usura, extorsão e alteração de leilões.

A batalha judicial deverá determinar se a rede criminosa romana pode ser comparada à siciliana Cosa Nostra, à Camorra napolitana ou à 'Ndranghetta calabresa. No caso de uma condenação por máfia, penas são muito mais severas, com detenção a ser cumprida em prisão de segurança máxima.

O escândalo repercutiu na recente saída do prefeito de Roma, Ignazio Marino, acusado, entre outras coisas, de incapacidade para limpar a prefeitura de escândalos.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Henrque Pizzolatto

O ex-diretor do Banco do Brasil deve ser extraditado hoje. Ele foi condenado no mensalão e fugiu para a Itália com passaporte do irmão morto. Ele será escoltado pela PF em voo comercial para SP. Depois, será transferido para ficar preso em Brasília.

www.g1.globo.com
imagem google

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Itália aprova extradição de holandês para o Brasil

BRASÍLIA - A Corte de Cassação da Itália aprovou nesta quarta-feira o pedido de extradição do holandês Ronald Van Coolwijk, condenado pela Justiça Federal do Espirito Santo a 20 anos de prisão por tráfico de drogas. Na mesma sessão, a Corte determinou a prisão do holandês, que aguardava o resultado do julgamento em liberdade. Cabe agora ao Ministério da Justiça italiano decidir se autoriza o retorno de Coolwijk ao Brasil.

O processo do holandês teve tramitação similar ao do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, um dos condenados no processo do mensalão. Assim como Pizzolato, Coolwijk pediu para não ser extraditado com o argumento de que os presídios brasileiros não garantem a integridade física dos presos. A Corte considerou o pedido inconsistente. O mesmo procedimento foi adotado em relação ao caso Pizzolato.

— Essa é a segunda decisão favorável ao Brasil em matéria extradicional na Corte de Cassação (antes sobre Pizzolato e agora sobre Coolwijk) mostra que o trabalho do MPF, AGU,MRE e MJ convenceu a mais alta corte criminal da justiça italiana que no sistema prisional brasileiro há unidades prisionais plenamente capazes de receber presos extraditados com respeito aos tratados internacionais — afirma o secretário de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria-Geral da República, Vladimir Aras..

Van Coolwijk foi condenado a 20 anos de prisão em 1995 por manter 625 quilos de cocaína em um depósito no Porto de Capuaba, em Vila Velha. Depois da condenação, o holandês fugiu para a Itália. A Corte de Cassação aprovou a extradição a partir de um pedido da Procuradoria-Geral da República em conjunto com o Ministério Público italiano.



Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/italia-aprova-extradicao-de-holandes-para-brasil-17709557.html#ixzz3ntFUMzU9

Itália decide adiar por mais 15 dias extradição de Pizzolato para o Brasil

Ex-diretor do BB condenado no mensalão seria transferido nesta quarta.
Nesta terça, ele teve recurso contra extradição negado por corte europeia.

Do G1, em Brasília
A extradição para o Brasil do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi adiada por mais 15 dias por decisão do Ministério da Justiça italiano. A entrega de Pizzolato às autoridades brasileiras estava marcada para esta quarta-feira (7), depois que ele teve rejeitado um útlimo recurso na Corte Europeia de Direitos Humanos.
Pizzolato foi condenado no julgamento do mensalão do PT a 12 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Mas, usando documentos do irmão morto, fugiu para a Itália a fim de evitar a prisão – ele tem cidadania italiana.
Em fevereiro do ano passado, foi preso. No último dia 22, o Conselho de Estado da Itália autorizou a extradição.
O governo brasileiro deverá ser comunicado oficialmente da decisão nesta quarta-feira (7). Nesta terça, a embaixada do Brasil em Roma recebeu a informação verbalmente, mas não há explicação sobre os motivos do adiamento.
Policiais federais brasileiros estão na Itália desde segunda-feira (5) à espera da entrega de Pizzolato pela Justiça italiana nesta quarta-feira (7). Ele seria levado de volta ao Brasil em um avião de carreira e, ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, seria transferido para um avião da Polícia Federal, com destino a Brasília. O governo brasileiro deve mantê-lo preso na Penitenciária da Papuda.