quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ettore Scola anuncia aposentadoria

O cineasta Ettore Scola, último dos grandes diretores de comédia italianos, anunciou sua aposentadoria do cinema, às vésperas de uma retrospectiva de sua obra. A retrospectiva será realizada na cidade de Bari, no sul do país, e vai exibir cerca de vinte filmes do cineasta de 77 anos. Scola estreou no cinema oficialmente como roteirista em 1952, mas desde o final da 2º Guerra Mundial já colaborava sem assinar em diálogos para o cinema e o teatro de revista. Seu primeiro filme como diretor foi "Fala-se de mulheres", de 1963, mas antes Scola já havia se destacado como roteirista em uma parceria fixa com Ruggero Maccari. Há cinco anos, Scola dexiou de dirigir filmes para o cinema e passou a colaborar em documentários coletivos com claro posicionamento político, como "Um outro mundo é possível", sobre o G8 em Gênova, e "Cartas da Palestina", sobre o conflito nos terrirtórios ocupados. "Depois de ter participado nesses documentários, me dei conta de que na situação atual fazer um filme comum, com começo, meio e fim, não tem sentido", explicou Scola ao jornal La Repubblica. "Prefiro gozar da minha velhice." Scola recomendou aos leitores do jornal que cheguem à velhiçe, pois "é um momento belíssimo", ressaltando ainda que não acredita que cinema "sirva para muito na Palestina". O diretor disse detestar as retrospectivas de sua obra "porque me dou conta dos erros que cometi, os detalhes supérfluos, as repetições". "Eu acredito que hoje é mais difícil ter bons filmes do que na minha época, porque os jovens não têm a bagagem cultural ou a motivação política que nós tinhamos", admitiu. "Não lamento a queda das ideologias, mas o pior é que não existe nada que as tenha substituído", ressaltou o veterano diretor. Sobre os filmes que o deixaram famoso, como "Um dia muito especial" (1977), Scola afirmou que "nessa época era fácil críticar o fascismo porque ninguém se declarava como tal". "Era mais difícil tocar temas como a alienação dos italianos do sul nas fábricas no norte da Itália, em 'Trevico-Torino: uma viagem no Fiat-Nam', ou como em 'O Terraço', no qual se falava da corrupção que fomentavam uma certa política e a televisão", acrescentou. O cineasta admitiu que seu trabalho "é totalizante, te separa da realidade durante o tempo que dura a filmagem, e eu quero estar submerso o tempo todo na realidade".

Ansa

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