terça-feira, 12 de maio de 2009

Napolitano: rigor com França e Brasil

As declarações do presidente italiano Giorgio Napolitano, em seu discurso no sábado (9) em memória às vítimas do terrorismo, sobre o "tratamento inexplicavelmente indulgente" reservado por outros países a condenados na Itália, repercutiram positivamente entre os políticos do país. "O presidente fez bem ao se dirigir ao Brasil", opinou o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, ao comentar as declarações de Napolitano.

Em um ato em memória às vítimas do terrorismo, o chefe de Estado italiano lamentou o que considerou como um "tratamento inexplicavelmente indulgente" reservado" aos terroristas condenados por atos de sangue e que há muito tempo estão foragidos da justiça italiana". Sem citar os nomes dos países, as declarações do presidente foram claramente identificadas aos casos que o país enfrentou com a França - que se recusou a extraditar Marina Petrella em outubro de 2008; e com o Brasil, onde Cesare Battisti aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido italiano de anular a decisão do Ministério da Justiça brasileiro, que lhe concedeu refúgio político. "Espero que minha voz seja ouvida no espírito da amizade", afirmou o presidente italiano na ocasião.

Paris anunciou em outubro passado que Petrella, ex-membro das Brigadas Vermelhas(BR), condenada em 1992 à prisão perpétua por homicídio, pertencer a um grupo armado, tentativa de homicídio e sequestro, não seria extraditada por motivos humanitários.

Já o Brasil anunciou em janeiro a concessão de asilo político a Battisti, militante do grupo terrorista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) e condenado em 1993 à prisão perpétua por quatro mortes, das quais se declara inocente.

Ambas as decisões provocaram protestos das famílias das vítimas dos 'anos de chumbo' na Itália, que deixaram)415 mortos durante atentados cometidos entre 1969 e 1988. "Pensava como poderiam sentir-se os familiares das vítimas, porque um país amigo como o Brasil diz que, quem assassinou seus parentes, não deve ser enviado à Itália porque é considerado um refugiado político", considerou La Russa. Já a deputada Silvana Mura do partido Itália dos Valores (IDV), segunda força de oposição no país, agradeceu o presidente italiano e lembrou os esforços de seu partido para obter a extradição de Battisti. "Em 21 de janeiro, o governo estava empenhado em fazer o possível para obter a extradição de Battisti. Hoje, estamos em maio, frente ao refúgio político concedido pelo Brasil a um criminoso reconhecido como tal também pela Corte Europeia pelos Direitos Humanos".

De seu lado, o parlamentar Stefano Pedica também do IDV, criticou o Brasil pela concessão de refúgio a Battisti e anunciou que na próxima semana fará "um novo protesto em frente à Embaixada do Brasil, em respeito aos familiares das vítimas". Outros dirigentes e personalidades da política italiana agradeceram o discurso de Napolitano, que também recordou entre as vítimas do terrorismo o ex-premier Aldo Moro, morto em 9 de maio de 1978 pelas Brigadas Vermelhas.

Ansa

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