Cidade italiana está ameaçada por cruzeiros e país árabe, pela guerra civil.
Ao todo, organização WMF citou 67 sítios em 41 países ao redor do mundo.
Maré alta é um fenômeno comum em Veneza no outono e inverno
(Foto: Photo by Marco Secchi/Getty Images)
A cidade de Veneza, na Itália,
e a Síria lideram a lista de 67 locais históricos em risco incluídos na
lista de 2014 da organização não governamental (ONG) World Monuments
Fund (WMF), apresentada na terça-feira (7).
Segundo a entidade sem fins lucrativos, Veneza está ameaçada pelo turismo em massa de cruzeiros, enquanto a Síria tem um patrimônio cada vez mais destruído e saqueado pela guerra civil.
"Hoje, temos 67 sítios (em risco) em 41 países do mundo, o que eleva
nosso número de locais sob vigilância para 740 em 133 países desde 1996,
com um investimento de US$ 300 milhões (R$ 661 milhões) desde então",
disse a presidente da ONG, Bonnie Burnham, durante coletiva de imprensa
em Nova York.
Ao todo, a WMF recebeu 248 candidaturas enviadas por governos, ONGs e
especialistas em conservação do patrimônio, entre outros. Nos próximos
dois anos, os 67 lugares escolhidos receberão ajuda financeira da WMF,
mas principalmente de outras entidades, para tentar reverter essa
situação.
Mil cruzeiros em 2012
No caso de Veneza, além dos transatlânticos, há a lenta elevação do nível das águas. Mas, atualmente, é a presença em larga escala dos navios que mais preocupa a WMF. Segundo Bonnie Burnham, o número anual de cruzeiros passou de 400 em 2005 para mil no ano passado, com até 20 mil turistas por dia na alta temporada.
No caso de Veneza, além dos transatlânticos, há a lenta elevação do nível das águas. Mas, atualmente, é a presença em larga escala dos navios que mais preocupa a WMF. Segundo Bonnie Burnham, o número anual de cruzeiros passou de 400 em 2005 para mil no ano passado, com até 20 mil turistas por dia na alta temporada.
"Especialistas acreditam que (os cruzeiros) estão empurrando Veneza
para um limite ambiental e comprometendo a qualidade de vida de seus
cidadãos", destacou.
A presidente da WMF afirmou também que o objetivo da inclusão de Veneza
na lista de 2014 é tentar chegar a "algum tipo de compromisso" com as
autoridades para controlar o impacto negativo ao meio ambiente causado
por esse novo fenômeno, que é ao mesmo tempo uma importante fonte de
recursos.
Veneza é um dos 18 lugares da Europa incluídos na lista da ONG, o que
faz do continente o mais representado, onde a crise econômica já começa a
repercutir na manutenção do patrimônio. Em seguida, vêm a América
Latina, com 15 lugares nessa edição (um retrocesso em relação aos 22
incluídos na lista de 2012) e a Ásia, com 13.
Conflitos internos
A lista de 2014 "inclui três ou quatro dos maiores desafios no campo da preservação do patrimônio histórico e cultural", disse a presidente da WMF, referindo-se em particular à situação da Síria e do Mali, onde têm ocorrido conflitos internos.
A lista de 2014 "inclui três ou quatro dos maiores desafios no campo da preservação do patrimônio histórico e cultural", disse a presidente da WMF, referindo-se em particular à situação da Síria e do Mali, onde têm ocorrido conflitos internos.
"Na Síria, a guerra civil teve um custo terrível para monumentos e
locais onde ainda continua. Colocamos toda a Síria na lista", explicou
Bonnie, dando como exemplo a destruição da cidade histórica de Aleppo,
no norte do país.
Embora a situação no Mali "pareça ter se acalmado", o dano sofrido pelo
patrimônio também foi elevado e, por isso, todo o país foi colocado sob
vigilância.
"Nos próximos dois anos, faremos todo o possível para ajudá-los", disse
Bonnie, que também mencionou dois importantes locais ameaçados por
catástrofes naturais: a catedral armênia do século VII de Mren en Kars,
na Turquia, e a região histórica de Áquila na Itália, ambas vítimas de
terremotos.
Cidade de argila de Chan Chan, no norte do Peru
(Foto: Photo by DeAgostini/Getty Images)
(Foto: Photo by DeAgostini/Getty Images)
Cidade de argila no Peru
Entre os sítio latino-americanos citados no relatório da WMF, estão a maior cidade de argila do mundo, Chan Chan, no norte do Peru, e as ruínas de Uaxactun, na Guatemala.
Entre os sítio latino-americanos citados no relatório da WMF, estão a maior cidade de argila do mundo, Chan Chan, no norte do Peru, e as ruínas de Uaxactun, na Guatemala.
Em Chan Chan, que data do século XIV, o crescimento urbano traz
problemas para a preservação do lugar, declarado em 1986 Patrimônio da
Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (Unesco).
Formado por nove pequenas cidades muradas, Chan Chan começou a ser
construída no século IX e foi capital do reino Chimú, da cultura
preincaica.
O arquiteto Javier Robles, promotor da candidatura de Chan Chan,
explicou que "Trujillo cresce e não há um plano de trabalho sobre como
isso está afetando as ruínas", razão pela qual a ideia é "trabalhar com
um projeto em nível nacional e internacional e criar um sistema de
proteção".
Com quatro sítios arqueológicos, o Peru é o país latino-americano mais
representado, embora na lista da WMF haja locais do século XX
reconhecidos por sua arquitetura ou seu valor histórico, como a Cidade
Universitária de Caracas e o Parque Fundidora de Monterrey, no México.
Turistas
visitam ruínas no centro da cidade de Aleppo, no norte da Síria, em
imagem de arquivo de 6 de janeiro de 2011 (Foto: Photo by Kaveh
Kazemi/Getty Images)
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