Gian Maria Vian, diretor do jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, explicou hoje o silêncio do papa Bento XVI sobre a repressão chinesa ao povo tibetano afirmando que "a Santa Sé é tradicionalmente prudente". "Além disso, acho prematuro iniciar uma polêmica, como alguém já fez, e antecipar conclusões. Também porque não é verdade que o Vaticano se cale ou tenha se calado em relação ao Tibete: existem meios de comunicação vaticanos que se expressam, como o jornal, a rádio, a sala de imprensa", acrescentou. "A Santa Sé atua, mas pondera os modos de ação", disse Vian em uma entrevista ao jornal Liberal, publicada hoje.
Segundo o diretor do Osservatore Romano, o Papa "não se pronunciou até agora, mas nos próximos dias é possível que isso ocorra". Para ele, uma boa ocasião para isso seria a Audiência Geral da próxima quarta-feira, "mas também a sexta-feira santa ou o domingo de Páscoa são ocasiões favoráveis para uma eventual intervenção de Bento XVI". Vian argumentou que "mesmo o Dalai Lama, frente à proposta de boicotar as Olimpíadas na China, disse que não era oportuno", e acrescentou que "as ações sempre têm conseqüências". "É difícil, portanto, avaliar e julgar o silêncio do Papa", disse Vian, acrescentando que "contatos diplomáticos poderiam ter efeito mais eficaz que tomadas de posição públicas".
O diretor do jornal vaticano recordou ainda que "as polêmicas sobre os silêncios do Papa não são novas". Questionado sobre a apreensão do Vaticano quanto a possíveis represálias aos cristãos na China, Vian respondeu: "Existe esse aspecto e existem outros, mas repito que o silêncio não deve levar ao engano: os canais informativos estão sempre abertos". O secretário da Conferência Episcopal italiana, monsenhor Giuseppe Betori, disse que o papa Bento XVI "encontrará o modo e o momento" para falar sobre o que está ocorrendo no Tibete. "Não podem ser os meios de informação a decidir suas intervenções", disse Betori em uma coletiva de imprensa.
Com informações do L'Osservatore Romano









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