sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ministro de Defesa italiano isenta França de responsabilidade em caso Battisti



La Russa
Roma, 16 jan, Ansa - O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, afirmou nesta sexta-feira que a responsabilidade pela concessão do refúgio político ao ex-ativista italiano Cesare Battisti é do Brasil, negando assim a influência do presidente francês, Nicolas Sarkozy, na decisão. "Os boatos são consequentes da intervenção anterior a favor de uma outra terrorista. A interessada era a esposa do presidente (Carla Bruni), mas não há outros elementos sobre o tema e, por isso, acredito que a responsabilidade é do Brasil", disse o ministro ao comentar as notícias de que o governo francês havia intercedido junto ao Brasil a pedido de Fred Vargas, amiga de Battisti e da primeira-dama da França, Carla Bruni. Em entrevista ao programa de TV 'Panorama del Giorno', La Russa, porém, voltou atrás em suas declarações feitas na quinta-feira, de que iria à embaixada brasileira reclamar sobre o caso, explicando que é preciso que o Brasil "entenda que as relações" entre os dois países "não serão as mesmas após esse insulto, essa ofensa". Para o ministro, a principal "ofensa" não é ter concedido o refúgio, mas o motivo da decisão. "Disseram que se ele voltasse à Itália seria provavelmente perseguido, mas não se sabe por qual autoridade", questionou. Também hoje a França voltou a negar que Sarkozy tenha interferido no caso. "Diferentemente de algumas declarações públicas a decisão referente a Battisti não tem importância à França e não foi solicitada por Carla Bruni e nem por Sarkozy ao governo brasileiro", ratifica um comunicado do Eliseu. Ontem, em declarações à ANSA, o governo francês já havia desmentido que tivesse realizado qualquer tipo de interferência no caso, como havia afirmado o advogado de Battisti, Eric Turcon. Na última terça-feira, o ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu pelo status de refugiado político, o que garante que Battisti deixe a prisão de Papuda, em Brasília. Genro afirmou que sua decisão foi baseada na "existência fundada de um temor de perseguição" contra Battisti, que alega inocência. O ex-ativista de extrema-esquerda, de 54 anos, foi condenado em 1993 na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos que teriam sido cometidos na década de 70 enquanto militava no Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo ligado às Brigadas Vermelhas.

Um comentário:

Escritora Tânia Barros disse...

Pois é, Ale, eu estou acompanhando o caso, inclusive no meu blog, e penso que Battisti tem razão no sentido que foi declarada prisão por toda a vida, sem que houvesse direito de defesa. Este é um caso de luta ideológica, e pelo que soube o camarada de Battisti que o delatou foi torturado e recebeu aquilo que aqui no Brasil chamamos de Pena atenuada, ou coisa parecida. Bem, se não teve direito a plena defesa, se há indícios grandes de processo viciado...!