quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Políticos italianos indignados com concessão de asilo a Cesare Battisti

Roma, 14 jan, Ansa - A decisão tomada pelo governo brasileiro nessa última terça-feira de conceder asilo político ao ativista de extrema-esquerda italiano Cesare Battisti está gerando reações indignadas tanto da base governista italiana de centro-direita quanto da oposição de centro-esquerda. A concessão do status de refugiado ao terrorista Cesare Battisti "é um erro muito grave do governo brasileiro, que ofende as vítimas do terrorismo, o sistema judiciário e o povo italiano", disse o ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, que expressou seu desejo de que o governo brasileiro "possa voltar atrás nessa decisão". "Estamos absolutamente chateados e desiludidos com a decisão do governo brasileiro de conceder o status de refugiado a Cesare Battisti", expressou o ministro da Justiça italiano, Angelino Alfano, que acrescentou que pretende se encontrar o mais rápido possível com o chanceler Franco Frattini para discutir a questão. A subsecretária de Justiça da Itália, Elisabetta Alberti Casellati, disse, por sua vez, em uma entrevista à rádio estatal RAI, que "a decisão do governo brasileiro é uma afronta à Itália". "É uma falta de respeito para nossa democracia, que foi acusada, acreditando a tese de perseguição política, de tirania. É um insulto ao nosso sistema de justiça, deslegitimado pela autoridade brasileira, e é uma vergonha para as vítimas do terrorismo e seus familiares", continuou a ministra. "A decisão do Brasil é gravíssima", disse, por sua vez, o presidente da bancada do Popolo della Liberta (PDL) na Câmara dos Deputados, Ítalo Bocchino. "Espero que a Farnesina (Ministério das Relaçoes Exteriores italiano), assim como já está fazendo, de passos em frente para que o Brasil reveja sua decisão", continuou. O líder do partido Italia dei Valori (IDV, de centro-esquerda), Antonio Di Pietro, juiz que fez parte da operação Mãos Limpas contra casos de corrupção no início da década de 1990, disse que "Battisti é um assassino e deve permanecer na prisão. O governo deve intervir e dialogar com o governo brasileiro para resolver esta questão". Já o líder da bancada da União Democrática do Centro (UDC) no Senado, Gianpiero D'Alia, defendeu em uma nota que "a decisão do ministro da justiça brasileiro é inquietante. Esperamos que o ministro Alfano venha o quanto antes ao Senado informar as medidas que o governo irá tomar para assegurar à justiça italiana um criminoso que no nosso país foi condenado por quatro homicídios". "Enquanto Battisti aproveita o desconcertante status de refugiado político nas praias brasileiras, as famílias das vítimas vêem reabrir suas feridas", comentou D'Alia. Cesare Battisti, de 54 anos, foi militante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo na década de 1970, e é acusado de quatro assassinatos na Itália entre 1977 e 1979. Desde 2007, o ativista está preso no Brasil. Nessa última terça-feira, o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, outorgou o status de refugiado político a Battisti, negando assim sua extradição, por entender que existe um "fundado temor de perseguição política" contra ele na Itália. A decisão levou o Ministério das Relações Exteriores da Itália a enviar uma nota oficial ao governo Brasileiro pedindo a revisão da concessão do asilo.

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